Passei o dia sentindo
esses lampejos de tua presença.
Volta e meia, me acendia a tua falta,
como se soubesse
que teria que enfrentar
todos os momentos que tua ausência ressalta.
Foram muitos domingos,
e eu não falhava em
estar contigo.
Antes, o vazio em meu peito
vinha nos dias em que não
conseguia te ver,
presságio deste momento
em que te espero e tu não vens.
Tua casa tá vazia.
Teu marido não encontra mais
o sono da tua presença.
Os teus gatos, arredios;
os teus filhos, espalhados,
cada um com o fardo
da tua ausência.
Eu não esqueci nosso ritual.
O melhor dia pra ouvir a tua voz era domingo.
E eu chorei porque lembrei de tua fé,
daquele lugar.
Lembrei de tua alegria,
do teu sorriso
e da gente tomando café.
Eu olhava pra janela,
e já era noite.
Eu te perguntava: “Como está?”
Às vezes, se ia chover,
se fazia calor,
se queria chorar,
se sentia dor,
se faltava amar
ou faltava amor.
Mãe, já faz dias que eu te vi partir,
não sinto mais pavor,
não vou mais fugir.
Eu vou sentir todas essas nostalgias.
Matheus Matos
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