Eis minha poesia. Toma, agora é tua!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

encontros

verdadeiros amigos vem 
de uma realidade paralela
e é amarela
a realidade
não paralela
às vezes é fera
às vezes ferra
mas o que fica?
a irmandade 
amar o elo
da amizade
amar o belo
o que é sincero
o sangue eterno
o paralelo
a realidade

e nos encontros
nos falatórios
e nos momentos 
transportados
a vida ganha o viço
o que é difícil
fica fácil
sem isso
frágil.

Matheus Matos

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

beleza negra

A maldade vem por natureza
como pode se querer aniquilar 
tamanha beleza
por cor
não podem
e negam 
a cor da pele 
preta
negam 
tua vontade
negra
por invejar
tua irmandade
e essa é a verdade
pela tua
força 
garra
tua lealdade
a forma de amar
a forma de rezar
a forma de entregar
bondade 
negam liberdade
a beleza negra
durante séculos
sustentou o peso do 
capricho e da maldade do mundo
e desde da primeira morte
a primeira semente
ensina o que é lutar. 

Matheus Matos

terça-feira, 8 de novembro de 2022

O tempo devora

Pra trás.
Não vamos mais.
O tempo nos pega
Não para jamais. 

O tempo devora
a página volta
mas não volta a paz

O tempo afoga
Nos chama pro mar
Nos faz mergulhar
Num líquido em caos
Que a vida te entrega.
Um cais nos espera
Se ela passar.
Mergulha de novo 
e vais se encontrar.

no teu tempo finito
escreve o teu nome
no que há de vir.
Se és o amor
que mostre o ardor
que vem do sentir.

Não tem paciência.
Não pede clemência
Pro tempo parar.
O caos é o caminho
Não segues sozinho
Eterno é amar.  

Matheus Matos

sábado, 8 de outubro de 2022

Eu sou do nordeste

Eu sou do nordeste  
Sou cabra da peste
Do Rio que desce 
E para no mar.

Eu sou do nordeste
Lugar que não se esquece
Tão pouco entristece 
Nem deixo de amar.

Eu sou o nordeste
Que tira a peste 
Não só do nordeste
Mas em todo lugar.

Eu sou do nordeste 
Que tem meus amores
E tem sofredores
E um dia com fé 
Eu volto pra lá. 

Matheus Matos

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Solução

 
Lá onde o riso é solto e a vida é boa;
Última lembrança do paraíso;
Lá onde não há o genocídio;
A esperança continua. Infinito. 

É que nós beiramos a loucura;
Acabamos nesse precipício;

Solta agora esse teu grito;
Ouve bem o chamado;
Lá a gente é bem vivido, bem amado;
Ultimato desse auspício.
Caminha com as mãos dadas nesse mundo;
Amar é dádiva e sempre fecundo. Solução;
O ódio não leva a nada, é um poço fundo de destruição.

Matheus Matos

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Amar é um hábito

 Posto que a beleza é efêmera
Não são as curvas dos corpos
Tampouco cabelos sedosos
Que fazem da paixão o amor

Porque amar é ver no dia-a-dia
Não só a beleza 
Mas também a agonia
Não só a alegria
Mas também tristeza.

Há no ato de amar
O ato de aceitar 
A parte oculta à beleza
A parte que não irradia
Inevitavelmente aceitar a tristeza algum dia

Do amor, há um pacto de aceitação
de aceitar as perdas
de ganhar perdão
de pedir desculpas
dividir o pão
dividir o chão
aceitar o não 
ser fascinação

Amar é um hábito 
Tato
Tara
Faro
Fato
Falta em dias de hiato
Força de um vulcão 
Fogo no tesão
Obstinação

Amar também é ternura
a vida passa
às vezes dura
e lá, então,  que é amor 
e mansidão

Matheus Matos

terça-feira, 16 de agosto de 2022

regresso

 Se tu já fostes um dia 
Ou, calado, quisestes ser
Em um momento que era só seu
Infortúnio não se acontecer
Só tua falha restou
De tudo que não fostes 
Por escolha ou teimosia
Talvez te rasgue a alma
E põe outros em agonia 
Talvez não mais o valha
Desta tua falha
A palavra amor
É que nessa vida só se vive uma vez
Viver é um experimento único
Amar 
Talvez 
E não há como não deixar 
o que há de bom acontecer
Se podes ser amor
Se podes dar o bom tom 
Se podes tirar a dor
Erras por excesso 
Porque viver pra alguém agora pode ser regresso 
De um tempo que não passou

Matheus Matos

sábado, 16 de julho de 2022

eterno como o poema

 tenho amigos que cicatrizaram
carrego como um sinal em mim de algo que fica
pra sempre
um pacto de vida
amizades imutáveis
não importa os traumas
as aventuras
os erros
nada muda
eu tenho amigos que vivem no tempo das coisas eternas
eternas como o amor
eternas como o poema
e o leitor
não há tempestade que balance um só pilar
não importa os dias 
os meses 
as faltas
amor incondicional
o amor que vem de um lugar inexplicável
e que possui uma força tremenda
e eu já vi suas metamorfoses
e eu já fui metamorfose
e eu continuo aqui
e eles lá
nos ancorando ao inexplicável
pois mesmo embora no amor nem tudo seja perfeito
é no amor que as coisas imperfeitas são transponíveis
é no amor que se aceita a vez do outro ser

Matheus Matos

terça-feira, 12 de julho de 2022

Manifesto

 Nasceu.
Errou?
Por que apanhou?
Ninguém apoiou
Estava sozinha
Transitava a vida e
Pra ela não era contra mão 
Mas parecia
Não deveria
Só tinha não 
Era trágica a sua via
V I O L E N T A D A
Violentaram a mulher
E a sua vida
Violentaram a mulher
Na emergência 
Violentaram a mulher
Na indigência 
Violentaram a menina
E sua inocência 
Violentaram a mulher 
Na sonolência
No ônibus
No metrô
No avião
Na pele dormente
No sono pesado 
Dessa sociedade 
V I O L E N T A D A
Estava a mulher
Indecência 
Violentaram a mulher no parto 
Violentaram o nascimento
De onde vem esse tormento?
Do marido, do pai, do tio 
do médico, 
do político,
da política indecente,
do presidente,
presidente? 
que presidente?
da ministra
sinistra,
do pastor, do padre, do bispo, 
da suprema corte
masculina
um corte 
no que já foi direito
feminino 
a mulher perde sempre um pedacinho de si em sua luta 
Ganha em sororidade.
Todo dia uma mulher morre
e morre a humanidade.
E isso não é um poema
é uma manifesto
à minha mãe, minha esposa, minhas amigas, minhas irmãs,
minhas sobrinhas, minha afilhada, minhas cunhadas, 
minha sogra, minhas tias, minhas primas, minhas avós emprestadas, 
minhas alunas, minhas conhecidas, 
para aquela menina na esquina, 
para aquela menina na rua com medo,
para a moça no ponto de ônibus, 
para a criança indefesa, 
para toda mulher 
para todas as lutas de vocês, 
eu estou com vocês, 
eu sou vocês.

Matheus Matos

terça-feira, 21 de junho de 2022

bloco de notas

sumiu

nem a tela branca

do meu bloco de notas

no meu alt+tab 

mais 

se viu

era o meu bloco de notas

de poema vil

e o que ficou? 

esse vazio

Matheus Matos 

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Prometeu

"É necessário o coração em chamas para manter os sonhos aquecidos. Acenda fogueiras."  Sérgio Vaz 


Eu sigo Sérgio Vaz.
Carrego um coração em chamas
e um coração em paz. 
No peito, tenho todos os sonhos que foram aquecidos 
todos os sonhos impossíveis
todos os que virão
todos os sonhos esquecidos
todos que concretizarão.
Sonhos são o alimento perene da alma.
Em cada grãozinho de chama acesa 
uma fogueira quer queimar.
Carrego meus sonhos
como quem quer incendiar
como quem gosta de queimar desejos. 
Eu queria ser um incendiário. 
Ser fogo nos corações de gelo. 
Ser gasolina em quem quer brilhar.
Eu quero brincar de explosões estelares 
nos corações dos jovens.
Ser supernova pra quem já sonhou demais.
Ser poesia queimando um pouco mais.
Ser Prometeu.
  

Matheus Matos 


quinta-feira, 24 de março de 2022

saudade é sina

saudade é sina
retratado
teu riso
preso
de menina
eternizado
meu amuleto
do passado 
só eu te vejo
só eu te quero
só eu desejo
só eu te espero
tu não me olhas
só teu retrato
eu vejo
e o teu sorriso
é o meu festejo

Matheus Matos
poema inspirado no texto no medium

quinta-feira, 17 de março de 2022

cozinhando poemas

Eu cozinho poemas pra ti
há mais de uma década
cozinho poemas 
como se cozinha as palavras 
que serão ditas 
por quem escolhe a felicidade

foi pra ti que debulhei
o amor
extrai seu sabor
e te dei pra provar 
foi em ti 
que eu vi 
desse amor 
uma receita de eternidade

como quem toma café de manhã
e sente aquele aroma inebriante
todos os dias 
eu passo um café
pra te amar
e nunca é o bastante

Matheus Matos 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

paixão é guerra

a paixão pode ser um vício
uma doença
um precipício
uma internação em um hospício
na ilusão de um resquício 
a paixão pode até matar

ela tem uma fome
uma chama que consome
presas nas línguas 
estão os nomes
que ela não para de falar

a paixão não vai ser lebre
fugente
te come
é fera
pungente
tem fome
vai devorar  

paixão é guerra

Matheus Matos

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

dança

meu passo 
não passa 
do cais
eu passo?
mas tu 
não quer 
mais
eu posso
ficar no intento 
me passo 
ficando 
no verso

amar 
que é tão
demais
teu gesto 
amo 
muito 
mais
teu beijo 
teu sexo 
tua paz
amar que não
sai desse verso 
amor já estou
submerso 

tua dança 
não precisa de música 
o que sinto com teus movimentos é mais 
que a acústica
que ensino aos ventos
teus intentos
teu corpo me chama 
acende essa chama 
do meu pensamento 
acaba o tormento
da angústia
mulher de astúcia 
domina essa minha certeza
teu corpo eu ponho na mesa
e sirvo pro meu jantar
já és a entrada 
a amada
a pura beleza
prato principal 
de meu sonhar

Matheus Matos

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

metaverso

 verso
re
  verso
traduzo
o complexo
inverto o 
averso
dai pra cá
tu vais pra lá
tu cais 
eu mar
meu tenso 
gesto
protesto
o pavor
indigesto
teu amor
controverso
universo
perverso
e meu passo 
não passa
desse meu
metaverso

Matheus Matos

sábado, 22 de janeiro de 2022

brio

Amar pra sempre ter brio
Amar é ter coragem
Tenhas coragem
Teu pulso pode parar
É o preço da
Eter 
 Ni
   DA
     DE
  
amar é ser juvenil 
e ser um pouco selvagem
o amor não pode parar
é uma espécie de
santi 
     DA
       DE
               
amar pra não sentir frio
e às vezes o tempo passar lento 
escutando aquele vinil
que toca canções do lennon.

amor preenche o vazio
dos fios tão 
soltos no quengo.
loucura a dois
amor a dois
pode ser muito mais
amar agora, 
ontem e depois

amar acende o pavio
Que queima a
Sani
   DA 
     DE 
De Amar vem um 
Arre
p
  i
    o 
De onde vem o amor de
Ver 
  DA
   DE 

Matheus Matos

lembranças

Engraçado como a gente regressa tanto no passado quando se despede de alguém. A morte é uma despedida final. E deve ser uma tentativa frustrada nossa de voltar às lembranças e tentar guada-las em algum lugar seguro. Quando alguém vai, não há mais criação de memórias. Tudo é a história do que foi. O que já foi contado. Papel passado e arquivado. Mas, se a gente deixar, com o tempo, as memórias vão se despedindo da nossa história. Acho natural, estar vivo é se reescrever. É gerar novas lembranças. E  às vezes o que é novo vem e toma o lugar do que já passou. Devíamos ter uma capacidade ilimitada de armazenamento de lembranças. Talvez lembranças boas. Um espaço menor pra lembranças ruins que nos ensinam a viver. Cada uma ficaria em um potinho. Mas, em um grandão, guardaria todos os sentimentos de amor. Mas o que é novo também é bom. O que é novo transforma. Pro bem ou pro mal. Me chama atenção como algumas pessoas se perdem em suas lembranças e sentimentos. A mente é um labirinto inviolável. Às vezes a gente até tem que desligar algumas coisas na mente pra conseguir viver em paz no que a gente julga ser isso. Outro dia estava tentando lembrar da minha avó. Quando ela se foi eu estava longe e só. Há muito tempo eu sai de casa. Estou já quase a mais tempo fora de casa do que fiquei dentro. E quando falo casa me refiro à casa de minha mãe e minha terra Natal. Mas não estou mais só. Eu não fui ao enterro. Vivi um luto sozinho. Chorei, escrevi, lembrei, guardei. Muita coisa que tinha de lembrança do seu amor e sua bondade eu esqueci. Aquelas memórias que a gente vê em cenas de filmes. Todas se foram. Na verdade, esqueci muita coisa da minha vida. Só o que fica é o sentimento. Esse preenchimento. Quando vc tem uma gaveta cheia de coisas antigas que não usa mais e nunca mais vai tocar mas que são ou foram importantes e as coisas ficam lá guardadinhas, preenchendo todo o espaço, e vc sempre vai saber onde pegar se precisar. Assim que me lembro dela. E assim que seu amor ainda me preenche. Mas minhas memórias estão se esvaindo. Coisas que a física tem me tomado. Acho que em algum momento eu devo abrir essas gavetas das memórias e pegar o que me for bom. Lá pra frente, quando eu estiver mais grisalho. Quem sabe lá eu possa até escrever melhor sobre os sentimentos. Tentar deixar mais dos meus momentos escritos pra que meus netos possam se lembrar de mim. Um poeta sonhador, físico no entanto. Feliz, mas nem tanto. Pois pra se escrever poesia, às vezes, é preciso ser triste.


Matheus Matos

reticências

Amar é te ouvir com o meu toque
Ouvir os teus gestos
Cheirar as tuas lembranças 
Sentir nas tuas danças
as melodias dos teus movimentos
afastar todo tormento
da falta de sentido
compensar tudo que não é dito
que não é bonito 
achar-se feliz em meio ao que ultraje
nesses dias que nossos corpos e mentes
são miragens do esquecido
vou mergulhar e me ancorar 
no teu corpo tão marcado
ancorado no amor
demasiado
e quando faltar palavras 
quando faltar o som 
quanto faltar o toque
quando tudo faltar
quando tudo for ausência 
e só o amor restar 
o amor é solução
o amor é o tradutor
o amor é reticência

Matheus Matos

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

o POEMA morreu no meio

o POEMA morreu no meio
Começou como quem rima bem
descobriu a sonoridade e além
mas morreu no meio
faltou conexão
caiu o sinal psicográfico
palavras são milhares
em todos os idiomas milhões
mas qual é o fio que liga 
a rima 
o som
a teima
a rena 
o tom
o vento
a veia
a teia
o coração
o que que falta 
quando cai o sinal? 
falta emoção? 
contato divinal?
o POEMA morreu no meio
e nasceu novamente
completamente
diferente.
É preciso renascer, às vezes,
pra se conseguir mudar.

Matheus Matos 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Indissociável

Minha alma tem afinidade 
Por coisas tristes,
Mas não é triste.
Nem sempre.

Se encaixa bem em músicas tristes,
não é triste,
Mas sente.

Vive bem quando está isolada. 
Sozinha, ela não fica calada. 
E falando ela quer ser feliz.

Como uma força que repele a tristeza,
Minha alma me faz petiz. 
Criança eterna em um mundo feliz.
 
Beleza.
Mas não é sempre. 
Não é todo dia.
Às vezes tristeza quer fazer moradia.
Mas minha alma,
agora triste,
tem sempre um punhado de alegria.
Coisas de quem cultiva sementes da euforia. 

E como o ciclo da vida
A gente vai se reciclando.
Ela e eu
Minha alma e eu
com sua afinidade com a solidão.
E como coisas afastadas, 
mas indissociadas
Eu vejo ela,
e ela me vê de longe.
Voo de pássaro
No céu de meus passos
Olho de querubim.
Ela escreve sobre mim.
E eu continuo sozinho na minha ilusão.

Matheus Matos

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

O que há no espírito do homem?

O que há no espírito 
do homem? 
Que hora vive
hora some
consome
nosso
ar?
Há ciência?
No espírito do homem 
Há clemência?
O espírito do homem
é sobre pensar.
Sapiência?

Matheus Matos

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

ANO NOVO

Atrás dessa chuva que cai do céu 
Num choro do mundo, num pranto em fel
Outro tempo se desenha

Nada persiste a essa pintura
O tempo é o artista 
Verdade nua e pura
Obra-prima maniqueísta.

Matheus Matos