Estou morando no perigo,
cansando de viver no cansaço,
vivendo, muitas vezes, de embaraço,
de um aperto inconsequente no peito
e só pensando em viver direito.
Eu pego na mão do inimigo,
perdi do amigo o abrigo,
não vejo mais aquele sujeito.
Não vejo o tempo passando,
pareço um relógio quebrando,
O tempo carrega defeitos;
carrego lapsos comigo.
Tenho muitos eus,
e esse nem é o perigo.
Nasci desse jeito;
a vida não é ser perfeito.
O perigo,
o problema,
é esse eu que grita agora,
é esse eu que canta agora,
é esse eu que aflora
quando se sufoca,
acende um alerta,
bate à porta,
falando comigo:
Poema é agora,
obrigatório.
Poema é abrigo
e conforta.
Seu eu-poema é o sentido.
Matheus Matos