Eis minha poesia. Toma, agora é tua!

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Para Minha Mãe


O dia da tua partida amanheceu triste. O dia chorou com tua partida, minha mãe. Eu te amei tanto, sempre. Obrigado por tudo, meu amor. Você foi o meu maior presente nesta vida, e eu vou te amar para sempre. De certa forma, eu me preparei a vida toda para esse momento. Eu tentei cuidar de ti sempre, porque sabia que esse dia chegaria. Só não sabia que seria tão cedo. Eu sempre admirei a tua forma de amar, o teu jeito incondicional de ajudar os outros. A senhora deu tanto nesta vida, minha mãe. Só por isso, merecia ter vivido mais. A senhora cuidava da sua família e sempre foi intensa. Queria seus netos contigo, queria tua família contigo e nunca largou a mão de ninguém, mesmo com os conflitos normais que uma família pode ter. Você amou demais. Talvez por isso teu coração tenha sido tão forte. Cuidou de sobrinhos como filhos, cuidou dos filhos dos sobrinhos como filhos, cuidou de irmãos como filhos, cuidou das tuas noras como filhas, cuidou do teu marido, dos teus filhos e dos teus netos com tanto amor. O teu ofício era o cuidado. O teu ofício era amar. Sempre foi uma mulher à frente do seu tempo. Sempre correu atrás de seu sustento e deu tudo de si para cuidar de tua família. É certo que, em um mundo em decadência, você teve dificuldades. Mas tenho certeza de que tua resiliência em vida, tua forma de reagir a injustiças, tua forma de proteger mulheres, crianças e idosos e tua forma de lutar me fizeram um homem melhor. Eu sou espelho de ti e vou te carregar comigo para sempre. Vou brigar sempre que presenciar uma injustiça. Pode deixar: vou carregar o teu legado. Eu vou sempre carregar o teu senso de justiça e de amor. Obrigado por tanto, obrigado por me ensinar isso, por me ensinar o que é amor e o que é a vida. Obrigado por me ensinar a cuidar dos outros, a olhar para os outros e a não perder a ternura, mesmo com todas as dificuldades. Obrigado por me ensinar também a ser perdão. A senhora sempre foi tão sábia, minha mãe. Sempre me ensinou tanto. Desde pequenininho, eu sofria por antecipação ao pensar nesse momento de partida. Lembro de quando eu te observava dormir e conferia tua respiração. Eu nunca soltei tua mão. Fiquei contigo até o último suspiro, o último sopro de vida, o último bater do teu coração. Num universo em que retas levam a outros planos, vivi as tuas últimas linhas curvas, tentei não perder o encanto. Descanse em paz, maminha.

Matheus Matos

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