Eis minha poesia. Toma, agora é tua!
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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Dias Estranhos

Se não tenho você aqui,
toda a minha vida está fora do lugar.
Você levou os móveis e, no lugar vazio,
deixou esse buraco em meu peito,
deixou a angústia,
o frio,
que eu já sei encaixar.

Eu já não durmo direito,
tenho insônias
de noites completas,
olhando, na cama, o vazio,
ouvindo suas canções prediletas.

Tenho pesadelos em noites de chuva,
acordo com tempestades em meu quarto.
Chove em mim de noite,
chove em mim desde que não te tenho aqui.
Acordo com o grito dos trovões,
parece um chamado para eu sair da cama,
buscar outras paixões,
lembrar que a vida não é só um sonho passageiro.

Mas tudo o que eu tenho,
tudo o que eu lembro,
é da nossa chama,
você dizendo para eu ter calma,
que ainda me ama,
que tudo é verdadeiro.

No nosso tempo,
dormir contigo era apenas um detalhe.
Se eu te tinha,
eu tinha
um sonho acordado,
eu tinha o milagre.

Dormir, às vezes, era mais tarde.
Às vezes, eu sorria ao te ver roncar.
Às vezes, eu dormia.
Às vezes, eu era a insônia.
Mas eu já não rio,
já não sei mais amar.
Se eu já fui rio,
você foi mar. 

Matheus Matos

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Dias Lentos

Os dias passam lentos
quando não tenho você aqui.
Não fosse essa minha mente inquieta,
lembrando de tua cara sapeca,
aposto que nem o tempo diria
que meu momento de euforia
seria lembrar de existir.

Os dias passam lentos,
e eu não tenho mais você
pra fingir que se importa
com algum final,
banal,
que passa na TV.

Depois de ter você,
os dias passam lentos.
Mas pra quê?
Copio os poetas,
não faço mais café,
não vejo o teu balé,
não ando mais em festas,
não tenho cafuné,
nem ligo a TV.
Depois de ter você,
só tenho aquele frio
que tinha no seu pé
se estava no AP.

Os dias passam lentos,
e eu só tenho a memória
de que você bateu a porta.
E, por sorte,
o que conforta
não foi forte:
você já foi embora,
e eu espero a hora
de desviar da morte
pra reencontrar você.

Matheus Matos 

domingo, 12 de janeiro de 2025

amor da minha vida

Você veio furacão,
envolver minha vida.
Eu, barco no mar,
embarco no amar,
com tempestade à vista.

Te via
todo dia,
até na imaginação.
Furtivo,
amor intempestivo,
te peço pra ficar.
Você não sabe rimar
e vai mais uma vez.

Se eu te abraçasse
mais na despedida...
Eu em teu peito,
eu no teu cheiro,
meu corpo em partida,
naufrago em talvez.

Mas o que é amar, senão
essa rima malfeita?
O que é ser o amor da
sua vida,
se a vida
não é perfeita?

Matheus Matos

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Esquizofrenia: preta e branca

A loucura está ali,
impregnada no querer.
Do poeta? As palavras
se alinhando aos sentimentos.

A pintura é a mistura da loucura
do pintor traduzida em cores.
E a ciência? Sem consciência,
é uma doença,

sem cura.

A dança da bailarina,
esquizofrênica,
[des]codifica a arte por traz
da poesia colorida
pelo escritor.


É a loucura,
sem cura,
secura,
do querer.

Do amor? o gozo todo dia,
e do ecstasy o prazer da hora.
Mas o poeta não precisa de outras drogas
a não ser seus sentimentos.

Então,
E S Q U I Z O F R E N E - S E.


(Eu sou ao menos um cara que sente)

Matheus Matos

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Horcrux

amo-te tão soberanamente em minhas incertezas,
que mesmo em face a morte [tristeza],
conseguiria esquecê-la mais.

só este amor demasiado me guia
e guia a ti também,
nesses, às vezes, caminhos tortuosos
que é viver.

sou como flores sem a água,
como o vento sem o ar,
como o cheiro sem o aroma,
quando estou, assim, sem ti.

mas tenho-te sempre em meus pensamentos,
não apenas no infausto momento
de tua ausência.

deixei de usar minhas reticências,
para amar-te ainda mais do que elas diziam.

e agora, meu amor por ti é eterno,
dividi-lo-ei em infinitos poemas pelo mundo,
matando em cada palavra o meu
e o teu medo de me perder.

Matheus Matos
para meu amor G