Eis minha poesia. Toma, agora é tua!

domingo, 21 de junho de 2026

janela

Atrás dessa janela fria,
onde jazia minha alma,
havia a vista daquela lua minguante.

Atrás dessa janela,
passa um tempo,
imperceptível,
embora eterno.

Sinto a noite fria na minha espinha
e na ponta dos meus dedos,
neste inverno.

Astros alinhados
na imensidão do nada,
e eu aqui, só. 

Matheus Matos

sábado, 6 de junho de 2026

Incompleto II

Madrugadas cibernéticas geladas,
e o meu mundo se mudou daqui.

O que é bom está comigo.
Não espero mais o amor pelos dígitos;
ele agora está em mim.
Não me afogo em lembranças;
elas me trazem a paz.
Nem estou mais só;
ela está aqui.
Tudo o que me falta
é o que não posso dar.
Por isso, ainda sou incompleto.

Algumas coisas eu já aprendi:

As pessoas somem da sua vida
e, se você deixar,
elas se perdem.

Na vida, tudo é efêmero,
principalmente as paixões.
As paixões
são relógios de areia.

As amizades?
Ah...

São diamantes
que não precisam ser lapidados.
As pedras brutas
é que são raras.

Madrugadas cibernéticas geladas,
e agora meu mundo é aqui,
ao lado dela,
ao lado deles.

E isso é bom,
e isso é abrigo.
E alimento o amor pelos dígitos,
e não existe distância capaz
de abalar esse nó.

Também me falta o que não posso amar,
e este é o mal do mundo que me faz incompleto.

Algumas coisas eu já aprendi.

Somos difíceis nas coisas elementares,
simples demais nas importâncias,
e irracionais com paixões,
amores,
sentimentos.

As pessoas somem da sua vida
e, se você deixar,
elas se perdem.

Na vida, tudo é efêmero,
principalmente as paixões.
As paixões
são relógios de areia.

As amizades?
Ah...

São diamantes
que não precisam ser lapidados.
As pedras brutas
é que são raras.

Matheus Matos

quarta-feira, 3 de junho de 2026

euforia

 Correu atrás do impossível.

A vida dela foi feita do caos,
quebra-cabeças de peças perdidas,
cheia de buracos que fizeram sua vida.

A falta já foi uma angústia;
fazer falta, também.

A saudade era sua droga mais forte:
a saudade de ter alguém,
de sentir o coração bater forte,
a saudade do abraço materno,
do amigo ausente e eterno
e das pessoas que fazem da vida uma sorte.

No fim, eu sempre contava uma bobagem,
e ela fingia escutar.

Amores eternos são pra quem não desistiu de lutar.

Matheus Matos

sexta-feira, 29 de maio de 2026

eu-poema

É que eu vivo morando no perigo,
cansando de viver no cansaço,
vivendo, muitas vezes, de embaraço,
de um aperto inconsequente no peito
e só pensando em viver direito.

Eu pego na mão do inimigo,
perdi do amigo o abrigo,
não vejo o tempo passando direito,
carrego lapsos comigo.

Tenho muitos eus,
e esse nem é o perigo.
É esse eu que tu lês agora:
quando se sufoca,
acende um alerta,
bate na porta,
gritando comigo:

Poema é obrigatório.
Poema é abrigo
e conforta.
O eu-poema é o sentido.

Matheus Matos


quarta-feira, 11 de março de 2026

Sobre amigos

certo dia,
como num estalo,
percebi minha existência.

acordei,
e eles estavam lá.

sabendo de mim,
olhando para dentro,

o que vi
não era só eu —
eu tinha muito mais.

eu era eles,
eles eram eu,
num colapso de vidas.

percebi a importância
da permanência.

desde esse dia,
vivo somando existências.

Matheus Matos
 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

21

Hoje é 21 e eu sigo lembrando.
Você foi embora, foi tão cedo.
E a gente vive chorando em segredo
a tua despedida.

Eu te vi partir como quem vira uma estrela,
e vi uma centelha prestes a iluminar todo o mundo.
Você foi embora e eu sigo tentando
não esquecer o teu mundo.

Hoje é 21 e eu queria um poema feliz.
Eu queria só poder apertar teu nariz,
acordar desse sonho ruim
e brotar na tua festa,
dar um beijo em tua testa,
mas tudo que tenho é essa cicatriz
e essa rima indigesta.

Eu não tenho a tua música,
eu não tenho a tua arte,
eu não tenho a tua voz,
mas eu sei: faz parte.
Tudo que eu canto é só saudade.

Hoje é 21 e eu sigo lembrando, todo ano.
Você foi embora cedo, e a gente segue aqui, chorando em segredo.
E só o que me resta pra me conectar contigo
é essa memória deste teu amigo
neste poema contido.

Pois a poesia eu sei que segue amando,
e eu sigo aqui te eternizando em poesia.
Eu sei que você virou um pontinho no céu infinito.
Eu olho pro céu, tantas luzes numa noite escura,
e vejo quanto é bonito.

Eu lembro dos nossos momentos, dos nossos amigos.
Lembro daquele dia, todo mundo em euforia:
nós pulávamos, nós cantávamos, tu sorrias.
Tenho essa cena gravada no peito.
Tu estavas lá. Todos eles estavam lá.
Todos nós estávamos lá.

Sigo tentando transcender o poema,
conectar as almas,
ver se vale a pena continuar.

O mundo é tão mais triste sem a tua presença.
Eu grito daqui do chão, eu grito pro céu, e quem sabe.

Eu te vi pequena e te vi partindo.
E continuo tentando entender a escolha aleatória do universo.
Meu único consolo é poder viajar no tempo contigo,
com nossos amigos, aqui nesses versos.

Eu sigo tentando e me lembro da tua última dança,
com uma lágrima em lembrança.
Mas lembro também de outras danças.
Eu sigo lembrando  
e a poeira levantando.

Hoje é 21.
E eu queria um poema feliz. 
Eu queria só poder apertar teu nariz,
acordar desse sonho ruim
e brotar na tua festa
dar um beijo em tua testa
mas tudo que tenho é essa cicatriz
e essa rima indigesta.

Eu não tenho a tua música,  
eu não tenho a tua arte,  
eu não tenho a tua voz,  
mas eu sei fazer parte  
deste poema.

Matheus Matos

sábado, 17 de janeiro de 2026

Luta vã

Todo dia acordo cedo,
olho a estrada da vida
e me dou alguns luxos:
certos venenos eu não bebo.

Não vale a morte lenta,
uma luta vã.
Quem guarda consigo tormentas
já perdeu a guerra,
vai ganhar o divã.

Certos venenos eu não bebo,
sejam eles segredos
ou escondidos na maçã. 

Matheus Matos

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Enigmas

Os poemas guardam segredos
das nossas almas.
Enigmas a serem descobertos.
Pra pensar com calma.

Cada rima, uma sina.
O amor que fascina,
um trauma
ou o poema que liberta.

Um poema é uma porta entreaberta
para o labirinto.
Quem encontra o poeta
desvenda a si mesmo,
distinto.

Instinto foi ler o poema,
faminto.

Matheus Matos