Eis minha poesia. Toma, agora é tua!
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segunda-feira, 19 de maio de 2025

Pepe

Foi-se Pepe.
Em paz.
Fica a paz
de Pepe.
E um jaz:

Não fosse a vida, essa aventura que Pepe fala,
Essa palavra dele
Que te cala...
Não fosse o Pepe, profeta
da plebe,
Profeta entregue,
Uma joia rara,
Eu desistia desse poema.

Mas, olhando Pepe
E a vida que segue,
Sei que a luta vale a pena.

A poesia vive
E se despede do profeta.
Com a espada afiada do tempo, vejo
Pepe, em despedida, me dizendo:

Todo en la vida no es plata. 

Matheus Matos

sexta-feira, 26 de abril de 2024

dilatação do tempo

Não fosse a vida esse contínuo eterno de tarefas do ofício
Não fosse isso também um vício
Não ocuparia o lugar da poesia
Das emoções
Não alimentaria ilusões
E não visitaria esses sonhos inóspitos
Fictícios
E justamente quando a vida espreme o tempo
E o tempo é a moeda difícil
É quando a gente aprende
A dilatar certos momentos
A controlar os interstícios
É quando a gente vê que
A poesia também pode vir disso

Matheus Matos 

terça-feira, 9 de abril de 2024

Utópico

Não fosse a vida, 
esse escritório de pequenas prisões, 
de onde eu tento, 
às vezes, 
me libertar, 
eu nem sairia daquele sofá, 
nem deixaria de ser cobertor pro teu frio. 
E eu aqui, 
nesse lugar estranho, 
com pessoas estranhas, 
vendo esse copo vazio, 
me faz lembrar que é só a ti que eu bebo, 
que és a minha sede insaciável, 
o meu desejo e meu brio. 
percebo, 
então, 
que depois da cama, 
do sono perfeito, 
a mente colapsa em um pensamento único: 
um beijo, 
um toque, 
um choque. 
Utópico, 
pois estou só contigo.

Matheus Matos

segunda-feira, 1 de abril de 2024

efeito borboleta

Não fosse a vida,
essa escolha aleatória
de sensações,
um dia estou aqui
e no outro?
Borboleta bate asas.
talvez o aperto no peito,
talvez as emoções
não fossem essas toneladas,
arruinando minhas falas.
Não fosse o peso das escolhas,
o peso de quando te calas,
não tinha o tu,
o eu,
não tinha nós.

Matheus Matos