Eis minha poesia. Toma, agora é tua!
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Diálogos Modernos: o barco sozinho




um alento
o mar atento
chamando o barco e o mundo
em plena segunda-feira
o barco sozinho
tem medo do fundo

-  Em plena segunda-feira,
   eu dormindo e vocês na praia...
   O mundo é bonito todo dia
-  Que todas as segundas sejam mar
-  E todos os dias sejam vida

Matheus Matos & Edson de Paula

Créditos da Imagem: Foto de Edson de Paula em Arembepe com o filtro artístico cubismo.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

COSMOGONIA

Por Edson de Paula

Feitos de nós
Quantos somos e somamos
Nestas telas destes claustros?
Ali vi Monet
Li Dalí
Rembrandiando passos

Velhos Monstros
Tanto tontos dos que somos por aí
Tortos mártires
Aprendi
Como matar deuses
No meio dos sonhos
Com uma lâmina de versos

Sou tão tu que já nem sabes
Eu nunca soube se saber estaria nisso

Mostro a face desfigurada como a face da pedra
A outra face do Nada...

(Edson de Paula é poeta nato, estudante de Letras na UNEB, meu poeta preferido e meu irmão)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Icaríneo

Nuvens descem
O Sol ferve
O Mar goteja
Destas alturas
Tudo borbulha
Nenhuma luz está acesa

Rumar as estrelas é tarefa inútil
Coisa de bardos e bestas

Procuro a sombra funesta
Do que não presta
E de quem deseja
Quem dera o vinho fosse
A veia acridoce da moça ali quieta

Chegada dos sem porto
Partida dos sem meta...


Foi-se


Edson de Paula
(de Confraria de Tolos)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Rabiscos do Primórdio

Por Edson de Paula

Planto meus versos no infinito...
Colhe-os quem caminhar pelas bordas de sua
[finitude.
Gotículas de inexplicável
Adoçam o chão infértil,
São meros, fugidios versos
incertos...

Chuva de cometas,
Guarda-chuva salpicado de buracos negros.
Controvérsia ao
inverso,
o que resta..?
...versos.

Esculpir, esculpir, esculpir
(eu), escultor enfadonho,
Rocha branca, amorfa
Faz brotar seu verso
Na matéria morta.
Berço de incógnitas,
formaste o interior
ao avesso e
o que resta?
...versos.

Desabrocha a aurora do desconhecido,
Pra todo lado:
Nada.
O que resta?
...versos...

08/06/05
(Edson de Paula é poeta nato, meu poeta preferido e meu irmão)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

por: Edson de Paula (Bigão)

Minha cabeça não tem pescoço
Flutua acima do corpo e outros planetas mais longínquos
Como parar frente ao Olimpo
Dar um passo e não mais voltar?
- Volto como quem foi!
Dizia o MAR

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Lua de Veneza

por: Edson de Paula (Bigão)

Lua vermelha,
[um quadro de novela],
Será que o teu recado
é refletir
os olhos dela?

Círculo de chamas,
e névoa,
e lágrima
Dissolve-se em mim,
Dissol
ve-
me...

À noite na cidadela
Os gondoleiros trafegam os ares,
outonos de Vivaldi
Navegando a primavera.
Nenúfares
se fazem...nu
corpo d’estrela...

Quão longe a Lua
chegando ao inexistir.
Bola bela,
balão de beleza,
canção d’esquina,
Luar de Veneza,
rapina do olvido,
Sentido,
não-certeza...

Os becos nefastos da solidão
levam-me
para os jazigos,
jazem figos
no intraduzível.

Semi-planos de refúgio,
Sem planos,
sem panos,
sem canais,
Túrgidas divagações astrais...
[Apenas] lucubrações lânguidas.
...Há penas...

Vazio...
cama...
dama...
Aqueronte...ponte
E
...saudade...

Lua vermelha,
pentagrama de velas,
Levará alucinados
olhos
às janelas!..?...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Transitório

por: Edson de Paula (Bigão)

Não escrevo cartas com prazo de validade.
Cartas são como
gravetos da estação passada,
uivo de cão vagabundo
um desconhecido caminhando calçada
da estrada infinita...
[do mundo.

Não trago anéis de fumaça desfeitos
(em embrulho para presente),
Copulo com o passado
ao brotar alicerçando
o amanhã na incerteza,
fugidia presteza,
Eu ausente
[do tempo.

Não me implodo em negativas,
Não me prendo a negações,
Desfaço tudo que foi dito,
Digo-o novamente,
Refuto,
Vou em frente
[e volto
Ao colapso entre caos,
cáucaso,
Titãs e deus.

Sou o amante dos finais,
[felizes ou não]
Acorrentado a princípios.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Traça Metalingüística

por: Edson de Paula (Bigão)

Nunca fui poeta,
Não sou poeta
E jamais serei!
Não suporto este fardo inalcançável,
Estas penas de chumbo
Rabiscando de sentimentos o céu,
Aves metálicas das costas de Atlas
Que carregam por cordas
o mundo.

Poetas são nefelibatas
Vivendo as nuvens no chão,
São nuvens náufragas
Avistando ilhas voadoras;
Poetas são monstrinhos visguentos,
Bucha de canhão, pólvora, bala, fogo,
BUM!!!
Ungüento...
Talvez uma flor artificial num jarro transitório
Eu possa ser,
Um brilho fugaz num orbe alegórico
Eu possa ter.
Mas de que vale todo artifício ornamental
Se da corola não exala perfume?
De que vale o brilho sepulcral
Se o calor não aquece a nudez do estrume?
De que vale dizer-se poeta
Se não traz em si a altivez do lume?

Não sou poeta,
Nunca fui
E jamais serei!
Quem dera eu pudesse vestir-me de reticências,
Calçar alpercatas do infinito,
Fazer de manto um labirinto,
Fazer-me manto,
Fazer-me mito,
Ser transcendência!
Não passo de criança evasiva
Entre um copo e outro de cachaça.

Meu ser é jaz.
Poetizar? Jamais.
Quando o for,
Não serei
Restaria mais um passo,
um verso, uma linha, um traço,
Enquanto isso
Vago nos corredores de paredes brancas
Em busca de povoar-me o...
...não-ser...

Poeta?!
Nunca fui,
Não sou já,
Mas serei...