Lembrança, esse último fôlego de vida de quem fica.
O meu irmão mais velho lembrou-se de quando éramos
pássaros e voávamos ao encontro do ninho.
O abraço dela era um ninho quentinho
e, mesmo que tentássemos chegar uns na frente dos outros,
sempre cabíamos todos.
O abraço dela era grande;
nós, pequenininhos.
Seu sorriso, pra mim, era um remédio.
Minha mãe tinha aqueles olhinhos puxados e apertados
e, quando sorria, a gente quase não via seus olhos.
Eu prometia a ela, toda semana, abrir seus olhos.
Ah, mãe! Agora abrir os olhos me dói.
Matheus Matos
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