Eis minha poesia. Toma, agora é tua!
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quarta-feira, 11 de março de 2026

Sobre amigos

certo dia,
como num estalo,
percebi minha existência.

acordei,
e eles estavam lá.

sabendo de mim,
olhando para dentro,

o que vi
não era só eu —
eu tinha muito mais.

eu era eles,
eles eram eu,
num colapso de vidas.

percebi a importância
da permanência.

desde esse dia,
vivo somando existências.

Matheus Matos
 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

21

Hoje é 21 e eu sigo lembrando.
Você foi embora, foi tão cedo.
E a gente vive chorando em segredo
a tua despedida.

Eu te vi partir como quem vira uma estrela,
e vi uma centelha prestes a iluminar todo o mundo.
Você foi embora e eu sigo tentando
não esquecer o teu mundo.

Hoje é 21 e eu queria um poema feliz.
Eu queria só poder apertar teu nariz,
acordar desse sonho ruim
e brotar na tua festa,
dar um beijo em tua testa,
mas tudo que tenho é essa cicatriz
e essa rima indigesta.

Eu não tenho a tua música,
eu não tenho a tua arte,
eu não tenho a tua voz,
mas eu sei: faz parte.
Tudo que eu canto é só saudade.

Hoje é 21 e eu sigo lembrando, todo ano.
Você foi embora cedo, e a gente segue aqui, chorando em segredo.
E só o que me resta pra me conectar contigo
é essa memória deste teu amigo
neste poema contido.

Pois a poesia eu sei que segue amando,
e eu sigo aqui te eternizando em poesia.
Eu sei que você virou um pontinho no céu infinito.
Eu olho pro céu, tantas luzes numa noite escura,
e vejo quanto é bonito.

Eu lembro dos nossos momentos, dos nossos amigos.
Lembro daquele dia, todo mundo em euforia:
nós pulávamos, nós cantávamos, tu sorrias.
Tenho essa cena gravada no peito.
Tu estavas lá. Todos eles estavam lá.
Todos nós estávamos lá.

Sigo tentando transcender o poema,
conectar as almas,
ver se vale a pena continuar.

O mundo é tão mais triste sem a tua presença.
Eu grito daqui do chão, eu grito pro céu, e quem sabe.

Eu te vi pequena e te vi partindo.
E continuo tentando entender a escolha aleatória do universo.
Meu único consolo é poder viajar no tempo contigo,
com nossos amigos, aqui nesses versos.

Eu sigo tentando e me lembro da tua última dança,
com uma lágrima em lembrança.
Mas lembro também de outras danças.
Eu sigo lembrando  
e a poeira levantando.

Hoje é 21.
E eu queria um poema feliz. 
Eu queria só poder apertar teu nariz,
acordar desse sonho ruim
e brotar na tua festa
dar um beijo em tua testa
mas tudo que tenho é essa cicatriz
e essa rima indigesta.

Eu não tenho a tua música,  
eu não tenho a tua arte,  
eu não tenho a tua voz,  
mas eu sei fazer parte  
deste poema.

Matheus Matos

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Enigmas

Os poemas guardam segredos
das nossas almas.
Enigmas a serem descobertos.
Pra pensar com calma.

Cada rima, uma sina.
O amor que fascina,
um trauma
ou o poema que liberta.

Um poema é uma porta entreaberta
para o labirinto.
Quem encontra o poeta
desvenda a si mesmo,
distinto.

Instinto foi ler o poema,
faminto.

Matheus Matos

 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Fotografia

Deixa teu sorriso ser meu guia;
que a luz das estrelas não tem tua alma
nem a magia
e a calma
da minha vida
quando estou contigo.

Vem agora, que sou teu amigo,
com tua dança desse momento exato.
O teu cheiro no meu,
teu corpo colado,
minha alegria
e meu abrigo.

Eu olho pra frente
quando olho pra ti
e vejo o que ainda não existe.
Eu vejo o mundo diferente.
Vejo um amor presente.

Eu vejo a calma dos amores que ainda não tive.
Vejo furacão sendo brisa.
Vejo você em matizes
do que ando descobrindo ser amor.

Vem,
deixa teu sorriso ser meu guia.
Te dou meu bom dia,
te dou minha alegria
e minha melodia,
às vezes um pouquinho de mau humor.

É que a vida não precisa ser mais perfeita
pra estar contigo.
Pra estar contigo,
só preciso saber se há amor.

Matheus Matos 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Compaixão

Um dia acordei cedo
e dei de cara com
o dia chuvoso e triste.

Havia uma nuvem pesada
sobre o dia,
mas o mundo
chamava meu nome.

Vi uma viúva-negra
se afogando na pia
e a salvei,
mesmo sabendo
de sua fama perversa.

Ainda hoje ela deve devorar 
seu inseto favorito.

Há dias em que prezarei insetos,
mas tenho certeza
de que a aranha não passa de hoje.

Alguns insetos 
e aranhas
não têm vida longa.

Matheus Matos

sábado, 22 de novembro de 2025

Só te tenho aqui

Em casa, eu organizo
nossas lembranças
pra te entregar.

Meu pranto é essa
despedida devagar
a que tu insistes.

Uma parte de mim
vai naquela flor de jasmim
que me pediste.

Uma parte, que é minha,
vai nos teus olhos
sempre tristes.

Alguns adeuses nos levam.
Eu sigo fragmentado.
Já não sei mais encenar
os outros pedaços.

Outros “eus”
que iludiste —
todos aqui, parados.

Tu partiste
e, agora,
só te tenho aqui.


Matheus Matos

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Jogo

Tanto erro,
tanto medo
todos meus,
todos tristes.

Tu insistes
nesse jogo.

Eu, peão;
tu, rainha.
Eu, na minha,
feito bobo.

Tantos "sins",
tantos "nãos" -
já não leio teus sinais.
Nos finais,
o xeque-mate
é só no rei.

Matheus Matos 

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

assinatura

Essa sina do dia a dia
já assina uma sentença,
assassina a recompensa,
me extirpa a paciência.

Papéis timbrados em ventania
e o pensamento — de machados
manchados e perfumados
pela ânsia.

Dia e noite,
sono e insônia,
pesadelo e
agonia,
ruminâncias.

Olho pro lado e a caneta
parece fria;
nem assina mais
e nem fazia —
afasia de relutância.

São cliques
e cliques
de burocracia.
Clique,
bate,
o tique,
taque,
creck —
o tempo parece quebrado
e passou mais um dia.

Matheus Matos 

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

alento

Se tu vieres com esse sorriso largo,
antes de piscar já terás o meu abraço.

Se vieres e o que trazes é um choro,
antes que a lágrima caia,
já terás o meu consolo.

Porque amigo não escolhe o momento:
amigo é colo e abrigo,
é riso e choro,
é fogo
e água,
amigo é alento. 

Matheus Matos
 

Decifra-te

Sente e mente,
sentimento
sem tempo,
ausente.

A esfinge
sopra aos ventos
o tormento
que te aflige.

Eis, então, o questionamento:
é veneno o pensamento
que te oprime?

Decifra-te nos passos de outrora,
que a razão não demora;
a loucura é que aflora
na paixão que te devora.


Matheus Matos

sábado, 18 de outubro de 2025

a tua falta

Acordei sem o despertador.
A tua falta me desperta
todas as noites.
Eu rolo na cama
e tenho pesadelos que esqueço.
Só me lembro de acordar suado
e sentir o vazio da cama.

Há uma presença oculta na casa
o tempo todo.
Uma sensação de que a tua voz
vai dizer meu nome,
mas não diz.

Levantei e desci as escadas.
Hoje é sábado
e o sofá estava vazio.
Os gatos estavam tristes
e não saíam de seus lugares.

Fui pra cozinha em busca
daquele estalo que o armário
faz a noite toda.

Fiz um café na prensa francesa,
aquela que compramos na última viagem.
Quebrei a prensa pensando em ti,
mas o café ficou bom.

Já não sei mais contar
o tempo sem você,
e me perco nas letras
dos nossos dias.

Quiçá eu pudesse usar
minha poesia pra expressar
tua falta,
mas ela
não diz tudo. 

Matheus Matos

sábado, 11 de outubro de 2025

soluço

Perdemos o espanto
das coisas com encanto.
A vida precisa do brio,
mas o povo vive por um fio
e nem se pede tanto.

O soluço não passa
nesse mundo vazio.
Vejo tudo e não rio,
e não dou um basta.

Matheus Matos

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

janela

De frente pra praia
num quarto de hotel,
o ócio é meu vício,
a vida —
precipício.

Estar só
em pensamentos,
profanar mandamentos
como quem se liberta.

Eu vejo o mar
nessa cena.
Da janela de vidro,
resolvo problemas.

Nessa janela da vida,
me salva
amar —
e esse poema.

Matheus Matos

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

sem gentileza

tenho a fragilidade de quem sonha
mas não tenho a gentileza do profeta.
gentileza...
tenho um pouco de ser poeta,
mas não me imponha.
um dia eu fui leveza,
capoeira,
mas hoje sou vergonha.
disponha.

quem sonha precisa de agressividade,
não precisa ter idade.
mas suponha
que quem acorda de manhã cedo,
todo dia,
pra ter seu ganha-pão,
nem vê o cheiro do dinheiro.
contraponha
essa verdade.

a vida não tem segredo,
só precisa saber quem flutua
e quem afunda na lama.
não tem nada de grana
nem pra limpar a bunda,
mas dá os corre o dia inteiro.

já fui modesto em meus sonhos,
mas hoje eu sonho o que é impossível,
o que não tiram de mim,
eu suponho.
deixei de acreditar em anjo,
nem ligo mais pra esses tais de serafins.
essa é a verdade que eu exponho.

não há anjo nem demônio.
ai de mim, ai de mim
se eu me esquecer do tom da pele.
você é inocente?
eu sei quem segue
quando tá escondido.

a arte nasce também no oprimido,
no momento latente...
mas por que precisa ser sofrido?

eu sei o lugar que me cabe:
não é qualquer lugar,
mas todo lugar
que eu queira.
eu sei quem amar,
embora ame muita gente.
eu sei quem sou muitas vezes,
embora exista essa barreira.

todo dia eu entro no portal.
um dia isso vai fazer mal,
acordar de madrugada,
transportar essas jornadas
de certezas.
se aproveitam da nossa nobreza —
colorado, colorido, bem pensado...
de onde você pensa que vem essa clareza?

Matheus Matos 


quarta-feira, 13 de agosto de 2025

a chave

O cárcere que te aprisiona é o mesmo que te liberta,
escolher o teu próprio cárcere vai mostrar o quanto você é esperta.
Nada pode ser mais devastador que uma ferida aberta,
mas o que vai cicatrizar o teu medo?
Quem vai te dizer que agora é a hora certa?

É você.
Só você tem a chave
daquilo que te aprisiona.
Ninguém é livre completamente,
já dizia o poeta:
a liberdade existe pra escolha
da tua janela indiscreta.

Talvez seja isso o que te impulsiona:
encontrar tua prisão predileta.
E isso já é minha compulsão,
escolher seu próprio cárcere
está além da minha visão.

Matheus Matos






sexta-feira, 8 de agosto de 2025

passarinhos

Todos vocês são livres:
passarinhos aprendendo a voar,
a sair do ninho
sem saber a altura do tombo.

É preciso ter coragem para aprender a voar,
pra atingir uma meta,
não a Meta,
e mais coragem ainda pra transformar sonhos,
moldar interesses e desejos,
se entregar aos pouquinhos ao que é palpável,
segurar o que é ensejo.

Afinal, a vida é tão gigante pra gente sonhar um sonho só.
E já dizia o poeta:

“Sonho que se sonha só é só um sonho.”

E nós sonhamos todos os dias,
através dos sonhos dos pequenos
pássaros livres.

Se tu amas, deixa-os ir.
Deixa-os voar por entre as nuvens,
enfrentar tempestades,
quem sabe,
alcançar o inimaginável
e o inatingível.

Eu gosto de sonhos palpáveis,
sem essa coisa muito secreta.
Eu sou escancarado:
eu grito meus sonhos para o mundo.

Mas o que é palpável
quando não se tem ideia do impossível?

Sonhos pequenininhos são pra gente montar e mudar,
fazer crescer, e crescer, e passar a amar.

Sonhos impossíveis, às vezes, são destruidores de sonhos gigantes,
porque antes precisam ser pequenos,
pra depois serem grandes.

Matheus Matos 

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Pausa

O mundo pede pausa.
Parece que acharam os escritos antigos do velho demônio
e tentam aplicar em Gaza.

Eu vi uma criança correndo de uma explosão.
Não era em Hiroshima, nem em Nagasaki,
e nem era a
Sadako Sasaki.
Não era o napalm no Vietnã,
e nem a
Kim Phúc.

Bomba nova, cidade nova, criança nova.
Antigo mesmo,
só a maldade humana.

Eu,
ateu,
acredito em demônios de bigode,
de carne e osso 
e morte 
propagando ensinamentos,
propagando sofrimentos.

Vítima?
Não mais.
Agora, algoz é
quem já pediu paz.

Matheus Matos

domingo, 27 de julho de 2025

o amor não é só isso

Eu te escrevi um poema ontem.
Não era tarde,
e falava de amor 
sobre suas amarguras, loucuras e dor.

Mas o amor não é só isso.
O amor é muito mais.
Não tô aqui pra ensinar:
o amor se aprende amando,
e amar nunca é demais.

Mas o amor é esse descriptografar,
entre almas, nas eras e momentos.

O amor é a falta
de pedaços da tua alma,
se o que você tem,
no fim do dia,
é a cama vazia
e um só pensamento.

O amor é quando estar
deixou de ser estar só 
são duas almas em um nó,
e contentamento.

Matheus Matos

Imaginação

Toda vez que imagino o amor,
eu viro um poema.

Amor:
essas letras miúdas do final da cena,
esse contrato que perdura,
que confunde o leitor
e, às vezes, condena.

Toda vez que imagino o amor...
Se é amor,
o amor cura.

Amor:
esse remédio de loucura,
mas que carrega a amargura
de uma morte pura,
com veneno.

Toda vez que imagino o amor,
eu viro um poema.

Matheus Matos

domingo, 20 de julho de 2025

vazio

 vejo um poema
junto ao frio.
vem essa cena 
E eu não rio.
vem o problema 
desse vazio.

passa o tempo,
vem o inverno.
passa o vento,
vem o frio
perverso.
só não passa 
esse vazio
que eu tenho 
aqui no 
verso

Matheus Matos