Eis minha poesia. Toma, agora é tua!
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sábado, 22 de novembro de 2025

Só te tenho aqui

Em casa, eu organizo
nossas lembranças
pra te entregar.

Meu pranto é essa
despedida devagar
a que tu insistes.

Uma parte de mim
vai naquela flor de jasmim
que me pediste.

Uma parte, que é minha,
vai nos teus olhos
sempre tristes.

Alguns adeuses nos levam.
Eu sigo fragmentado.
Já não sei mais encenar
os outros pedaços.

Outros “eus”
que iludiste —
todos aqui, parados.

Tu partiste
e, agora,
só te tenho aqui.


Matheus Matos

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Jogo

Tanto erro,
tanto medo
todos meus,
todos tristes.

Tu insistes
nesse jogo.

Eu, peão;
tu, rainha.
Eu, na minha,
feito bobo.

Tantos "sins",
tantos "nãos" -
já não leio teus sinais.
Nos finais,
o xeque-mate
é só no rei.

Matheus Matos 

sábado, 18 de outubro de 2025

a tua falta

Acordei sem o despertador.
A tua falta me desperta
todas as noites.
Eu rolo na cama
e tenho pesadelos que esqueço.
Só me lembro de acordar suado
e sentir o vazio da cama.

Há uma presença oculta na casa
o tempo todo.
Uma sensação de que a tua voz
vai dizer meu nome,
mas não diz.

Levantei e desci as escadas.
Hoje é sábado
e o sofá estava vazio.
Os gatos estavam tristes
e não saíam de seus lugares.

Fui pra cozinha em busca
daquele estalo que o armário
faz a noite toda.

Fiz um café na prensa francesa,
aquela que compramos na última viagem.
Quebrei a prensa pensando em ti,
mas o café ficou bom.

Já não sei mais contar
o tempo sem você,
e me perco nas letras
dos nossos dias.

Quiçá eu pudesse usar
minha poesia pra expressar
tua falta,
mas ela
não diz tudo. 

Matheus Matos

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Can you breathe ? II

I love you
I can feel you
I can touch you in my mind
I don't know why

I can feel the cold breeze
and I still believe in peace
I believe in your shining eyes
but I can't breathe
if you are not mine

can you breathe?

can you breathe?
can you feel
I can touch you in my mind
I don't know why
I can feel the cold breeze
and I still believe in peace
I believe in your shining eyes
but I can't breathe
if you are not mine


Matheus Matos
 

domingo, 27 de julho de 2025

o amor não é só isso

Eu te escrevi um poema ontem.
Não era tarde,
e falava de amor 
sobre suas amarguras, loucuras e dor.

Mas o amor não é só isso.
O amor é muito mais.
Não tô aqui pra ensinar:
o amor se aprende amando,
e amar nunca é demais.

Mas o amor é esse descriptografar,
entre almas, nas eras e momentos.

O amor é a falta
de pedaços da tua alma,
se o que você tem,
no fim do dia,
é a cama vazia
e um só pensamento.

O amor é quando estar
deixou de ser estar só 
são duas almas em um nó,
e contentamento.

Matheus Matos

domingo, 13 de julho de 2025

pagamento

Eu preciso
escrever um poema,
um pagamento.
Mas
não tem problema.

Eu, às vezes,
vendo minha dor,
da minha veia de ator,
pois só me resta essa cena.

Mas será que isso vale
a pena?
Será uma descoberta
pequena
descodificar
o amor?

O meu pagamento
é fazer
renascer
palavras
em forma
de arte,
de brincadeiras
da minha
contraparte,
pra pagar
esse favor.

Matheus Matos 

sábado, 12 de julho de 2025

último sopro

Eu ouvi sobre uma paciente,
no último sopro.
E ela ainda tinha a memória de alguém,
mesmo em tanto sufoco.

Alguém marcou sua vida
com um cuidado
que não foi pouco.
Não foi só o remédio do corpo 

antes da ferida aberta na pele,
na perna,
no osso,
há uma ferida na alma.

E, pra cuidar
desse enfermo com calma,
dessa cicatriz aberta
com todos os traumas,
o cuidado tem uma receita certa:

amor, carinho, atenção,
pegar sempre pela mão
e estar 
sempre 
longe
do
fundo
do
poço. 

Matheus Matos

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Dias Estranhos

Se não tenho você aqui,
toda a minha vida está fora do lugar.
Você levou os móveis e, no lugar vazio,
deixou esse buraco em meu peito,
deixou a angústia,
o frio,
que eu já sei encaixar.

Eu já não durmo direito,
tenho insônias
de noites completas,
olhando, na cama, o vazio,
ouvindo suas canções prediletas.

Tenho pesadelos em noites de chuva,
acordo com tempestades em meu quarto.
Chove em mim de noite,
chove em mim desde que não te tenho aqui.
Acordo com o grito dos trovões,
parece um chamado para eu sair da cama,
buscar outras paixões,
lembrar que a vida não é só um sonho passageiro.

Mas tudo o que eu tenho,
tudo o que eu lembro,
é da nossa chama,
você dizendo para eu ter calma,
que ainda me ama,
que tudo é verdadeiro.

No nosso tempo,
dormir contigo era apenas um detalhe.
Se eu te tinha,
eu tinha
um sonho acordado,
eu tinha o milagre.

Dormir, às vezes, era mais tarde.
Às vezes, eu sorria ao te ver roncar.
Às vezes, eu dormia.
Às vezes, eu era a insônia.
Mas eu já não rio,
já não sei mais amar.
Se eu já fui rio,
você foi mar. 

Matheus Matos

domingo, 19 de janeiro de 2025

La femme qui danse

DALL·E 2025–01–19 18.51.33 - Uma pintura impressionista inspirada neste poema. A cena apresenta uma mulher dançando com movimentos fluidos. Feito por Inteligência Artificial.



Eu te vi dançando,
Como quem entrega a alma,
Como quem fecha os olhos
Pra achar a calma
E vai pra outra dimensão.

Você sempre estava em alguma dimensão
Quando estava comigo.
Às vezes, eu estava junto,
Às vezes, eu te puxava de volta.

Eu fechei meus olhos também,
Como se pudesse me emaranhar contigo,
Como se pudesse voltar a ser teu amigo,
Como se pudesse desfazer a revolta.

Quando eu te vi,
Tudo já havia passado.
O coração acelerado,
Estilo beija-flor,
Só pensava em não te perder
Mais uma vez.
Você já me fez tremer assim,
Lembra?
Me fez esquecer a dor
De um talvez.

Eu te vi dançando,
Como se pudesse viajar no tempo.
E o teu olho no meu,
O meu olho lento,
Lendo o amor da minha vida,
Vendo que não houve despedida,
Dançando aos ventos,
Como quem escreve um poema,
Como quem pinta um Monet
E o meu dilema.

Matheus Matos

uva

Eu te disse
Todas aquelas coisas
Involuntárias.
Eu perdi a mim
Quando perdi a ti.
Perdi muito.
Quando não acordava ao teu lado,
Perdia o sono.
Eu perdi os sonhos
Sem ter você aqui.
Perdi o gosto de ser amado.

Perdi o saber das coisas,
O sabor das coisas.
Eu cozinho pra tentar te achar,
Mas nunca estou inteiro.
Eu não tenho tua voz rouca,
Reclamando feito louca,
Se não uso teu tempero.

Se eu não te acho,
Eu nunca me acho.
Eu perco a fome,
Eu não me encaixo.
Eu vejo o tempo derramando,
Eu vivo a vida sonhando
Com o teu beijo.
É só assim que eu te vejo:
Nas lembranças passadas,
Em cada pingo
De chuva,
Até na roupa lavada
E naquele cacho
De uva.

Matheus Matos

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

eu finjo te escrever todos esses poemas de amor

Eu voltei,
agora que sei
que o amor não é perfeito,
e que ainda te quero
como sempre te quis.
É que meus olhos não estavam abertos.

Eu te procurei em todos os cantos
das casas que vivi,
em todos os cantos de amar
e que sofri.
Esperava te achar em cada esquina,
em cada canto de mundo vazio,
em qualquer olhar gentil
que não tinha o teu sorriso
e que era minha ruína.

Sem você,
A casa será sempre esse eco do amor que estou perdendo.
Eu voltei pra tentar te achar
fingindo esquecer as coisas passadas.
Eu finjo ser outro alguém pra te conhecer de novo.
pra te encontrar nos acasos da vida
como se fosse a primeira vez
com o nosso primeiro talvez
mas o amor não sendo.

Matheus Matos

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

cacos

Eu fui embora,
eu sei.
Em quantos pedaços me desfiz?
Em todos os cacos
de uma pessoa perfeita.

Eu idealizei
o amor,
e o amor não é aquela seita
da qual tanto preguei.
O amor é essa coisa desfeita,
caminha de mãos dadas
com o teu jeito.
Pôde um dia
ser conceito,
mas pouco existiu.

Eu fui embora, mas quis ficar.
Eu te amo de um jeito que
não sei mais falar.
Fui construir
minha inexatidão.
Eu fui pra voltar,
refeito,
incompleto,
despedaçar o perfeito
pra achar o perdão.

Matheus Matos 

um norte

Outro dia,
te vi em uma série de TV.
Eu te vejo na atriz, embaraçada,
fingindo ser engraçada.
Meus dias ainda passam lentos;
eu passeio pelas agonias
das horas.

Eu me perco no tempo
das coisas passadas,
onde eu sei
te amar,
sedento.

Mas não tenho você.
Eu não te entendo.
Eu vejo mais um
fim de nosso episódio.
Não sei rimar
teu ódio
com teu prazer.

Os dias passam.
Eu sinto aquele vento;
eu sinto frio, pensando:
o que é mesmo o amor,
senão perdão,
um norte,
ter sorte
e dor?

Matheus Matos

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Dias Lentos

Os dias passam lentos
quando não tenho você aqui.
Não fosse essa minha mente inquieta,
lembrando de tua cara sapeca,
aposto que nem o tempo diria
que meu momento de euforia
seria lembrar de existir.

Os dias passam lentos,
e eu não tenho mais você
pra fingir que se importa
com algum final,
banal,
que passa na TV.

Depois de ter você,
os dias passam lentos.
Mas pra quê?
Copio os poetas,
não faço mais café,
não vejo o teu balé,
não ando mais em festas,
não tenho cafuné,
nem ligo a TV.
Depois de ter você,
só tenho aquele frio
que tinha no seu pé
se estava no AP.

Os dias passam lentos,
e eu só tenho a memória
de que você bateu a porta.
E, por sorte,
o que conforta
não foi forte:
você já foi embora,
e eu espero a hora
de desviar da morte
pra reencontrar você.

Matheus Matos 

domingo, 12 de janeiro de 2025

amor da minha vida

Você veio furacão,
envolver minha vida.
Eu, barco no mar,
embarco no amar,
com tempestade à vista.

Te via
todo dia,
até na imaginação.
Furtivo,
amor intempestivo,
te peço pra ficar.
Você não sabe rimar
e vai mais uma vez.

Se eu te abraçasse
mais na despedida...
Eu em teu peito,
eu no teu cheiro,
meu corpo em partida,
naufrago em talvez.

Mas o que é amar, senão
essa rima malfeita?
O que é ser o amor da
sua vida,
se a vida
não é perfeita?

Matheus Matos

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

águas salgadas

Labirinto.
Lá no mar,
Grito 
Mais.
Grito 
Amar.
Sinto,
Mas
Ressinto. 
Amar 
as águas salgadas
no fundo.
Amar 
não é 
Mais 
tão fundo. 
Sinto 
Muito.
Eu
Devoro a esfinge
pra decifrar
a ti
que 
finge
não 
amar 
Mais 
o mundo.

Matheus Matos

domingo, 25 de agosto de 2024

fim de agosto

Já é fim de agosto,
a gente se atrasa mais uma vez.
Eu tenho palpitações.
No meio do caminho,
você me apresenta aquela música nova do Nando Reis,
o protesto em Rock 'n' Roll,
e conversamos sobre as divindades musicais.
O trânsito me desgasta,
mas o caminho é bonito.
Caem as folhas de agosto
como a chuva.
Você me cutuca,
escutando o Bituca,
pra lembrança eterna,
no momento infinito.
A pintura é tua,
e o poema é meu.

Matheus Matos

terça-feira, 28 de maio de 2024

cuzcuz, café e companhia



Sonhos esquecidos
Na terra de Morfeu
acordo
mente vazia
cuzcuz quentinho
café sem agonia
E tu mais eu.


Matheus Matos 

Lucão

 Não é à toa que há mar no verbo amar. O mar é gigante. Amar é ser maior.

“Não é à toa que que amar tem ar no verbo: respire” Lucão


quarta-feira, 22 de maio de 2024

Saia, flor, que tenho pressa

 

Orquídea quase a sair de Geane Cardoso. 

Saia, flor, que tenho pressa 
Preciso seguir meu caminho 
Eu sigo um tanto sozinho 
A vida não vai devagar 
Saia, flor 
Se te interessas 
Descubro tua cor escondida 
Controla o tempo da vida 
Te dou um poema de amar 
Saia, flor 
Mas não pereça 
A vida segue 
Ainda que não pareça 
Nós somos poeira estelar 
Queria ir devagar

Matheus Matos