Eis minha poesia. Toma, agora é tua!

sábado, 8 de novembro de 2014


Segue, agora, o caminho onde os encontros
são nas almas, nas lembranças,
nos descendentes e no amor. A morte
não passa de uma palavra, diria
um amigo meu. Em uma vida longa e
bem vivida ela é uma palavra de despedida.
Deu amor aos seus filhos e aos
filhos dos outros, e aos filhos
dos filhos, ao seu modo. Teve filhos
ao mesmo tempo que nascia seus netos.
Em uma vida intensa, amou do seu jeito, e,
sobretudo, amou a vida. Há caminho melhor que
amá-la?
Se despediu dos seus irmãos e refez as lembranças.
Talvez seja uma viagem de despedida, eu disse, e era.
E ele disse tchau a todos
e a todos os seus medos e passado.
Acho que é assim que o homem deve fazer. No
fim vivemos de lembranças e elas devem se juntar
a nossa alma em todos os seus detalhes em nossa
despedida.
Ele me deixou um irmão, que presente em minha vida.
Pode ir, cuido dele pra você.
Me foi um pai, um dos pais que a vida te dá quando sabe
que sua vida tem algo faltando. A vida tem desses caminhos também.
Minhas últimas lembranças dele serão eternas e felizes. Aquele
velho sabia me fazer isso.
Eu não segurei minhas lágrimas em sua despedida,
sei que devemos chorar, mas sei que seu
descanso é merecido. Todo mundo tem seu tempo.
Descanse em paz.







sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Peter Pan

eu até acho graça
do teu jeito emburrado
e teu coração amargurado.
sempre entendo teus sorrisos
e vejo amor.

é até engraçado esse teu jeito de viver.
paixões em erupções,
elas querendo te esquecer,
e o teu jeito menino de quem não quer crescer.

pan pan é até engraçado
que o universo conspire
contra nós e nos faça envelhecer.

o bom da vida é
sempre achar graça
do que nos acontece de pior.
o bom da vida mesmo é saber sorrir
e ser melhor.

pan pan vamos voar,
vamos voltar
pra terra do nunca,
lá eu posso ser você.

Matheus Matos






quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Eu sonhei com uma poesia.

Eu sonhei com uma poesia.
Ela dizia sobre a fome das crianças 
e dos miseráveis,
da ganância dos ricos e infelizes.
Dizia sobre a tristeza dos que tem sede e choram.

Eu sonhei com uma poesia e ela era triste. 
Eu queria acordar pra escrevê-la, 
mas minha mente não deixava. 
Ela preferiu que eu a visse, 
e eu vi, 
e ela era triste, 
tão triste, 
que fiz questão de esquecê-la.

Porque
quem tem fome
e sede
e sofre 
tem pressa.
Vive vagando no vale da morte
com sua lâmina afiada em seu pescoço.

E quem tem esses podres, 
infelizes, 
poderes
e controlam o sofrimento dos homens e das crianças,
tem a maldade em si.

Matheus Matos

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

do mato


mas eu sou
mais rio que mar
mais riso ao luar
mais rima ao amar

eu sou do interior
do meu interior
do interior do amor
do verbo amar

eu rio
do mar
eu, rio
do mar
rimo
amar
no mato
eu sou de lá

uma cachoeira
sem eira
nem beira
rimando
besteira

sem preconceito
do rio
doce
do mar
salgado
do interior
da capital
do mato
eu sou de lá

eu sou do mato
eu sou o interior
nós somos o interior

Matheus Matos

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Sobre momentos com amigos


Plantou uma poesia:
uma flor que se abria
e apontava a luz
do sol

Tocou sua sinfonia
em si bemol menor
e menor era a agonia,
agora era a alegria
de não estar mais
só

Semeou sonhos
em noites de insônia:
uma vida simples,
feliz e o girassol

Agora vive sempre em outra época:
sempre perdido no presente
rasga o lençol espaço-tempo.
Entre o passado e o futuro
faz poesia.

Matheus Matos

domingo, 10 de agosto de 2014

Infinito e eterno é o amor ou Prelúdio de separação

http://vidamigosamores.blogspot.com.br/2014/08/infinito-e-eterno-e-o-amor-ou-preludio.html
Posted by MINHA VIDA, MEUS AMIGOS E MEUS AMORES. on Segunda, 3 de agosto de 2015



Desfazendo-se
num abismo que há em si,
correndo de si mesmo,
perdendo-se.

Desfazendo tudo que construiu
como se não fosse mais o mesmo
E apagasse a si.

Ser de outras terras,
Outros mares,
Outras vidas,
Outros filhos.
Ser outro,
mas ser dela.
Se perder de si,
mas se achar sendo outro.
E amá-la de novo
como se não fosse o personagem antigo,
mas o amor sendo.

Porque o amor é infinito e eterno.

Matheus Matos

segunda-feira, 16 de junho de 2014

depois de tudo



depois de tudo,
de todo borbulho em minhas veias,
do barulho dos meus pensamentos,
da sujeira em minhas meias,
de todo esquecimento,
das vidas alheias,
dos maus momentos,
depois de tudo,
das noites mal dormidas,
da roupa mal vestida,
dos silêncios,
depois dos gritos,
da cama mal feita,
dos pratos sujos,
depois de tudo,
meu amor,
depois de tanta dor,
depois, também, do furor,
depois da loucura,
da agonia,
depois da falta,
depois de tudo,
a chama que nunca apaga,
alicerce,
o que é verdadeiro,
é essa vontade infinita,
como nossos abraços e beijos,
de te amar mais.

Matheus Matos



terça-feira, 10 de junho de 2014

Sobre carroças e burros


Haverá o dia no qual os bichos serão livres
e as máquinas serão bichos.
Noutro os homens serão máquinas,
então os bichos serão os homens.
Nesse dia os homens saberão
que os bichos eram máquinas.

Matheus Matos