Eis minha poesia. Toma, agora é tua!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Minh'alma

E nesse meio termo
de ser tudo e nada ser,
de ter tudo e nada ter,
me perco em meu holocausto.

Agredido pelo invisível,
exausto,
vejo a cena do impossível.

Sou eu que levito a cena
de minh'alma pequena
envolta pela escuridão.

Mil demônios a rodeiam
iludidos de penitencia-la ao fracasso,
mas cômoda minh'alma brilha.

Matheus Matos

(Créditos da imagem: http://sitedepoesias.com/poesias/78003)


quarta-feira, 21 de março de 2012

Outro Tempo




Se eu tivesse tido outro tempo,
minuciosamente
levaria minha alma pra tua.
Fundi-las iria eu
novamente,
em um canto afinado,
ou em palavras miúdas
atrás do armário.
Da forma que fosse, eu faria.

Meu bem, não existe tempo se não dizemos
que ele exista. Mas o tempo pode ser dito assim:
É a linha ténue entre a vida e a morte.
Mas de quem é então a vida e a morte que o define?

Quem sabe do amor.
Desse nosso eterno amor.
Então, é eterno esse nosso tempo,
e haja firmamento
pro nosso tempo queimar.
É, amor, eu já sei te amar.

Matheus Matos

(crédito da imagem: http://navedekika.com/2010/12/nao-houve-firmamento/)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A saudade é uma constante



A saudade é uma constante.
Vivendo em mundo distante,
inconstante também sou.


Sou uma ampulheta de anseios,
em meus abraços o receio
do encontro esvaecer.


A saudade é uma constante
contando angústia em meu peito,
mas não me deixa esquecer,


que saudade é amor nas lembranças guardadas,
é encontrar no amigo perto o distante,
eternizando o encontro na amizade;
que saudade é o que promove a irmandade.


Matheus Matos
(créditos da imagem: Da designer Mónica Santos, considerada pela Revista Única de 31 de Dezembro uma jovem promessa nacional, a colecção de postais Saudade (pack de 5 postais, presos por uma fita de cetim negro, com lacre vermelho em formato de coração.)



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Paz de Espírito



Eu sei, eu sei.
Seu coração vai se acalmar,
vai repousar de vez no amor.

Matheus Matos

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Incontrolável

Estava esperando a coragem,
Esperando ela chegar.
Mas ela vem paciente,
Como quem espera passar o mar.

Estava esperando o amor,
E ele chegou.
Chegou tão de repente,
Mas o mar não passou.

Tudo acontece sempre de um jeito
incontrolável.

Matheus Matos

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Gigante Vermelha



Três corpos nadando no nada,
e o que me importa a sua estrada?
Vaga nos desfiladeiros do infinito:
lágrima, dor, grito,
estampado em uma face pálida.
Isso tudo importa mágoa.

Mas e os teus pés no chão,
em qual nível estão,
se tua incumbência era flutuar?

Já não me basta revogar
teu coração,
já que tudo se tornou ilusão,
então vou me revogar.

E o teu peito,
que no dela batia,
não era tu que sentias
aquele som de amor?

Me diz então, por favor,
se ias sentir tanta dor,
por que desistiu de amar?

Matheus Matos

(Créditos da imagem: http://missbuterfly1.blogspot.com/2009/07/tormento.html)

domingo, 18 de dezembro de 2011

In time


Quanto tempo você tem pra mim?
Quanto tempo você tem pra me dar?

E se realmente o tempo fosse moeda vital?
Se cada segundo fosse um estado de morte e vida?
Se todo momento fosse "carpe diem"?
Quanto tempo você teria pra mim?

Quanto tempo pros amores?
Quanto tempo pros amigos?
Quanto tempo pra família?
Quanto tempo você teria?

Quanto silêncio gastaria ao lado dos que te amam?
Naquela pintura que sua mente faz num instante
tão rápido e eterno.
Quanto silêncio você daria aos amigos?
Se é no silêncio que você os descobre.

Às vezes a gente só precisa de tempo
pra descobrir que a vida é curta demais
pra fazer todo mundo feliz,
inclusive você mesmo.

Às vezes a gente só precisa de tempo
pra parar pra pensar e descobrir
que o tempo passou.

Matheus Matos
(Sobre a paz que não me vem)

Warrior

Às vezes me deparo com lutas incessantes
(o mundo e eu).
E todas as formas de se lutar
parecem incapazes de ajudar
(tudo em vão).

Ando por ai,
nas guerras da vida,
ganho irmãos,
ganho feridas.

Mas o que querem de mim?
Perdão.

Me tornei herói,
mas veja como dói:
fiz os doze trabalhos de Hércules e mais,
venci minotauro e Teseu,
e com a cabeça da Medusa que tomei de Perseu,
derrubei dez dragões igual ao de Cadmo.

Calmo,
derrotei o fracasso,
me livrei dos inchaços
que a guerra me deu.

Não sai incólume.
Ossos quebrados,
sangue vazado,
como de costume.

Mas, hei de ter meus tempos de paz.
Cicatrizes fechadas,
minha mulher perfumada
com o cheiro do amor.

Meus amigos cantando,
os abraços deixando
tudo que desfaz
pra trás.
Furor.


Matheus Matos

(Sobre a paz que não me vem)