Eis minha poesia. Toma, agora é tua!

quinta-feira, 24 de março de 2022

saudade é sina

saudade é sina
retratado
teu riso
preso
de menina
eternizado
meu amuleto
do passado 
só eu te vejo
só eu te quero
só eu desejo
só eu te espero
tu não me olhas
só teu retrato
eu vejo
e o teu sorriso
é o meu festejo

Matheus Matos
poema inspirado no texto no medium

quinta-feira, 17 de março de 2022

cozinhando poemas

Eu cozinho poemas pra ti
há mais de uma década
cozinho poemas 
como se cozinha as palavras 
que serão ditas 
por quem escolhe a felicidade

foi pra ti que debulhei
o amor
extrai seu sabor
e te dei pra provar 
foi em ti 
que eu vi 
desse amor 
uma receita de eternidade

como quem toma café de manhã
e sente aquele aroma inebriante
todos os dias 
eu passo um café
pra te amar
e nunca é o bastante

Matheus Matos 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

paixão é guerra

a paixão pode ser um vício
uma doença
um precipício
uma internação em um hospício
na ilusão de um resquício 
a paixão pode até matar

ela tem uma fome
uma chama que consome
presas nas línguas 
estão os nomes
que ela não para de falar

a paixão não vai ser lebre
fugente
te come
é fera
pungente
tem fome
vai devorar  

paixão é guerra

Matheus Matos

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

dança

meu passo 
não passa 
do cais
eu passo?
mas tu 
não quer 
mais
eu posso
ficar no intento 
me passo 
ficando 
no verso

amar 
que é tão
demais
teu gesto 
amo 
muito 
mais
teu beijo 
teu sexo 
tua paz
amar que não
sai desse verso 
amor já estou
submerso 

tua dança 
não precisa de música 
o que sinto com teus movimentos é mais 
que a acústica
que ensino aos ventos
teus intentos
teu corpo me chama 
acende essa chama 
do meu pensamento 
acaba o tormento
da angústia
mulher de astúcia 
domina essa minha certeza
teu corpo eu ponho na mesa
e sirvo pro meu jantar
já és a entrada 
a amada
a pura beleza
prato principal 
de meu sonhar

Matheus Matos

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

metaverso

 verso
re
  verso
traduzo
o complexo
inverto o 
averso
dai pra cá
tu vais pra lá
tu cais 
eu mar
meu tenso 
gesto
protesto
o pavor
indigesto
teu amor
controverso
universo
perverso
e meu passo 
não passa
desse meu
metaverso

Matheus Matos

sábado, 22 de janeiro de 2022

brio

Amar pra sempre ter brio
Amar é ter coragem
Tenhas coragem
Teu pulso pode parar
É o preço da
Eter 
 Ni
   DA
     DE
  
amar é ser juvenil 
e ser um pouco selvagem
o amor não pode parar
é uma espécie de
santi 
     DA
       DE
               
amar pra não sentir frio
e às vezes o tempo passar lento 
escutando aquele vinil
que toca canções do lennon.

amor preenche o vazio
dos fios tão 
soltos no quengo.
loucura a dois
amor a dois
pode ser muito mais
amar agora, 
ontem e depois

amar acende o pavio
Que queima a
Sani
   DA 
     DE 
De Amar vem um 
Arre
p
  i
    o 
De onde vem o amor de
Ver 
  DA
   DE 

Matheus Matos

lembranças

Engraçado como a gente regressa tanto no passado quando se despede de alguém. A morte é uma despedida final. E deve ser uma tentativa frustrada nossa de voltar às lembranças e tentar guada-las em algum lugar seguro. Quando alguém vai, não há mais criação de memórias. Tudo é a história do que foi. O que já foi contado. Papel passado e arquivado. Mas, se a gente deixar, com o tempo, as memórias vão se despedindo da nossa história. Acho natural, estar vivo é se reescrever. É gerar novas lembranças. E  às vezes o que é novo vem e toma o lugar do que já passou. Devíamos ter uma capacidade ilimitada de armazenamento de lembranças. Talvez lembranças boas. Um espaço menor pra lembranças ruins que nos ensinam a viver. Cada uma ficaria em um potinho. Mas, em um grandão, guardaria todos os sentimentos de amor. Mas o que é novo também é bom. O que é novo transforma. Pro bem ou pro mal. Me chama atenção como algumas pessoas se perdem em suas lembranças e sentimentos. A mente é um labirinto inviolável. Às vezes a gente até tem que desligar algumas coisas na mente pra conseguir viver em paz no que a gente julga ser isso. Outro dia estava tentando lembrar da minha avó. Quando ela se foi eu estava longe e só. Há muito tempo eu sai de casa. Estou já quase a mais tempo fora de casa do que fiquei dentro. E quando falo casa me refiro à casa de minha mãe e minha terra Natal. Mas não estou mais só. Eu não fui ao enterro. Vivi um luto sozinho. Chorei, escrevi, lembrei, guardei. Muita coisa que tinha de lembrança do seu amor e sua bondade eu esqueci. Aquelas memórias que a gente vê em cenas de filmes. Todas se foram. Na verdade, esqueci muita coisa da minha vida. Só o que fica é o sentimento. Esse preenchimento. Quando vc tem uma gaveta cheia de coisas antigas que não usa mais e nunca mais vai tocar mas que são ou foram importantes e as coisas ficam lá guardadinhas, preenchendo todo o espaço, e vc sempre vai saber onde pegar se precisar. Assim que me lembro dela. E assim que seu amor ainda me preenche. Mas minhas memórias estão se esvaindo. Coisas que a física tem me tomado. Acho que em algum momento eu devo abrir essas gavetas das memórias e pegar o que me for bom. Lá pra frente, quando eu estiver mais grisalho. Quem sabe lá eu possa até escrever melhor sobre os sentimentos. Tentar deixar mais dos meus momentos escritos pra que meus netos possam se lembrar de mim. Um poeta sonhador, físico no entanto. Feliz, mas nem tanto. Pois pra se escrever poesia, às vezes, é preciso ser triste.


Matheus Matos

reticências

Amar é te ouvir com o meu toque
Ouvir os teus gestos
Cheirar as tuas lembranças 
Sentir nas tuas danças
as melodias dos teus movimentos
afastar todo tormento
da falta de sentido
compensar tudo que não é dito
que não é bonito 
achar-se feliz em meio ao que ultraje
nesses dias que nossos corpos e mentes
são miragens do esquecido
vou mergulhar e me ancorar 
no teu corpo tão marcado
ancorado no amor
demasiado
e quando faltar palavras 
quando faltar o som 
quanto faltar o toque
quando tudo faltar
quando tudo for ausência 
e só o amor restar 
o amor é solução
o amor é o tradutor
o amor é reticência

Matheus Matos