Desfazendo-se
num abismo que há em si,
correndo de si mesmo,
perdendo-se.
Desfazendo tudo que construiu
como se não fosse mais o mesmo
E apagasse a si.
Ser de outras terras,
Outros mares,
Outras vidas,
Outros filhos.
Ser outro,
mas ser dela.
Se perder de si,
mas se achar sendo outro.
E amá-la de novo
como se não fosse o personagem antigo,
mas o amor sendo.
depois de tudo,
de todo borbulho em minhas veias,
do barulho dos meus pensamentos,
da sujeira em minhas meias,
de todo esquecimento,
das vidas alheias,
dos maus momentos,
depois de tudo,
das noites mal dormidas,
da roupa mal vestida,
dos silêncios,
depois dos gritos,
da cama mal feita,
dos pratos sujos,
depois de tudo,
meu amor,
depois de tanta dor,
depois, também, do furor,
depois da loucura,
da agonia,
depois da falta,
depois de tudo,
a chama que nunca apaga,
alicerce,
o que é verdadeiro,
é essa vontade infinita,
como nossos abraços e beijos,
de te amar mais.
Haverá o dia no qual os bichos serão livres
e as máquinas serão bichos.
Noutro os homens serão máquinas,
então os bichos serão os homens.
Nesse dia os homens saberão
que os bichos eram máquinas.
todos os finais são temerosos:
uma lágrima que cai,
o coração que bate forte,
o tempo que não passa e não acalma,
a vida que se esvai.
timoratos pensamentos
a vida é um solo inacabado de violoncelo
em busca da nota (perfeita) final.
somos como prelúdios tocados com toda a maestria
de um fim que sempre nos apresenta um novo começo.