Eis minha poesia. Toma, agora é tua!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

mergulho

Passei alguns dias no mar
No amar, já mergulhei sozinho
Lá no fundo tem o pindá
Não é sempre que tem peixinhos
Ao mergulhar
A gente abre os olhos
Os olhos abrem a calma
Os olhos abrem amar
E no mar
Também 
A água é salgada
Os olhos ardem 
Os olhos fecham 
a alma
Nem sempre veem o que querem
Nem sempre veem
E se perdem
Mas é preciso aprender quando olhar 
É preciso abrir caminhos
descobrir oceanos
dissolver enganos
Ser submarino ao navegar
Em seus planos
depois de naufragar
Passei alguns dias no mar
Mas, no amar, não estou mais sozinho

Matheus Matos

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Papel

Eu volto
Agora
Volto
Sou teu papel

Volto para a tua pintura
Pode amolar tua brandura
Pode pegar o pincel
Faz um tapete de nuvens
Com um arco-íris anelar
Faz um colibri
Uma gaivota
E um sabiá
Vês? Eu já te trouxe o céu.

Matheus Matos

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Banzo

Mirem as estátuas
De pedra e tristeza
Das obras dos homens

Pedras que levantam suspeitas das maldades e da fome

Mirem o rosto triste
Do olho na espada em riste
Que carregou o peso em ouro
Da escravidão

Mirem as estátuas de sangue
Mirem aqueles que têm nome
Mirem aqueles que resistem
E escaparam da solidão

Matheus Matos

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Casa

Saio de casa, mas não saio de ti
Sou essa tristeza disfarçada
Quando saio para longe e não tenho os motivos que me fazem ser vivo
Que me fazem sorrir
Carrego
Teus beijos,
Nossos gatos,
Teus cheiros.
Carrego sempre preocupações
Emoções que ainda vou sentir.
Saio de casa e é como se aquele Bem-te-vi
Que vem sempre te ver
Não quisesse mais vir.
Fim do mundo,
Teus pássaros,
Tua fonte e tuas pinturas,
Tuas descobertas em mais uma curva,
Um traço
Uma cor,
Teu amor,
Tão longe assim.
Longe de ti
Sou canarinho sem o canto
Sou um guri no espanto
Sem
Tu, a obra-prima,
Tudo é inócuo e mortal.

Matheus Matos 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Nata

Comi na lembrança 
A bolacha de nata
Que lembra minha vó 

Comi com esperança 
E aquela lembrança 
Me trouxe na garganta
Um antigo nó

É que muitas vezes,
Solidão é fera
E a vida castiga
Esse povo carente.

E eu demorei muito
Pra ficar grande 
Pra cuidar da minha gente.

Matheus Matos

sábado, 13 de janeiro de 2024

Lá em Vila Rica

Se tu quiseres estar comigo na R. São José,
Onde o passo é lento,
Como o tempo é,
Pois estou contigo.
Vem, já sou teu amigo,
Teu amor,
O teu bem.

Se tu quiseres ir comigo na Rua Direita, 
prometo o melhor café,
Pintura da alma perfeita,
Amargo na boca,
Cansaço no pé,
Ladeiras de Ouro
E nós na espreita.
O doce vem da fábrica,
Te dou um pão de mel.
Viagem no tempo
Da praça Tiradentes,
Segredos inconfidentes,
Conjuração presente,
E um pouquinho de fel.

Se tu quiseres vir comigo
Depois disso tudo,
Do mel, do fel e o absurdo,
Lá na história do mundo,
Lá em Vila Rica,
É onde a gente vai se achar.

Matheus Matos

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

um amigo antigo

Para o amigo Américo Tristão

Eu fiz um amigo antigo
nascemos em tempos diferentes
as almas, sempre tão contentes,
não. 

É que os encontros simulam
vidas passadas
e, como numa virada,
somos presentes 
então.

Ele sabe brincar com o tempo
Faz um pouco de tudo
Domina a arte do "eu te escuto" 
Ele sabe ser diferente
sua mente é como semente
para a nova geração. 

Eu fiz um amigo antigo
na esquina da Rua Direita.
à esquerda
tomamos um café, 
um Whisky,
depois demos um rolé
pelo histórico dos
pecados do mundo.

Matheus Matos

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Rosa do deserto




Rosa do deserto
Nada é certo
Nesse universo de incertezas
Rosa é como te quero
Mas a mistura é que te põe a mesa
No instante que te tenho
Na tua imaturidade 
É só mais tarde 
Depois com a idade
Que brota teu véu 
De beleza.

Matheus Matos