Eis minha poesia. Toma, agora é tua!

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Multi-versos

Inspirações: Antônio Brasileiro, Cassiano Ricardo, Fernando Pessoa


Cansei de ser fingidor
Por isso, sou o que vejo no espelho
Não sou mais o disfarce
Nem reflexo de conselhos
Tenho algo que se encontra em um único reflexo
Sou todas as máscaras que usei
Sou todos os versos que escrevi no
Multi
          verso

Matheus Matos

Um dia por vez.

Em 10 anos terei 51 anos
Serei eu mesmo ou só mais um algum?
Faz um tempo que não sei qual sou
Aquele da tormenta ou aquele velho ator?
Em 10 anos terei mais cabelos brancos
barbas brancas
amigos velhos.
Em 10 anos, serei um velho feliz
ou apenas mais um ferro-velho? 
Em 10 anos quero ter vivido 10 anos,
quem sabe mais 10
e mais 10 
e quem sabe mais, 
Um dia por vez.

Matheus Matos

domingo, 5 de novembro de 2023

ecos

 hoje somos 
também
ecos 
daquele tempo incerto
sobreposição de
rima, prosa, poesia,
teimosia,
contas, quânticas, caos
agonia
ingredientes tais
nunca normais 
cabais
fazia do mundo 
um livro em branco
aberto
sem epígrafe
sumário
ou tamanho
e nós eramos livres
            somos todos?
para psicografrar
poemas, histórias
vertigens
e ainda estamos cá
com a caneta da vida
passando depressa
tentando sentir 
o tempo devagar
brincando com Psis
escrevendo essas 
sandices senis

Matheus Matos

descriptografia

 naquele tempo
nossas vidas 
embaralhadas
e caóticas
pareciam 
uma batalha sem fim
eu procurava sempre por você
você nem sempre por mim
e como num cintilar 
eu transbordei amar
e te fisguei sem-fim
lembro do balanço no ar
do teu corpo em meu corpo
do teu jeito de amar e de
ciumar um pouco
lembro quando a noite era pequena
pra tanta cena 
de descoberta
eu cientista 
tu mente-aberta
corpos emaranhados
descriptografia certa

Matheus Matos

domingo, 15 de outubro de 2023

mensageiro

Há um tilintar de sino que sempre está ao fundo quando estou em casa.
É um mensageiro dos ventos e eu o tenho como um mensageiro do meu tempo.
quando ele pára, as vezes escuto meu silêncio. Como se entrasse em um caixinha
ultradimensional e pudesse viajar pelas frequências do som que o vento
que passou já trouxe. Os ventos sempre estão conosco. De uma maneira 
suave, uma brisa tranquila ou em tempestades devastadoras. 
O som do mensageiro vem e vai. às vezes seu silêncio diz muito. 
às vezes nada. E isso diz mais sobre mim.

Matheus Matos 

liberdade

 Sempre tem um quê de liberdade
No canto do pássaro que ouço à tarde
Ouço o canto
Daqui do meu canto
Às vezes de um pranto
De dentro de uma grade.

Matheus Matos

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Dinda

Estamos chegando nas transições na vida onde temos que nos despedir de nossos avós, viramos pais, tios, e nossos pais é que são avós. Triste sina da nossa finitude nesse universo. Eu entendo que seja uma transição natural, não deixa de ser triste a despedida.  Já faz tempo que sou da família de minha esposa, G, e tenho lembranças únicas de  quando íamos visitar seus avós. Tenho lembranças únicas de Dindo e Dinda. Dinda, Dona Rita, foi embora hoje. Descansou de sua vida única. Em todas as minhas visitas eu vi uma mulher forte. Muito forte. Eu vi uma mulher e seu marido com todos os seus queridos ao redor. Incrível como se constrói uma família com simplicidade e acima de tudo com amor. Eu consigo sentir o amor que G sente por Dinda, numa intensidade que nem essa distância, que nos persegue, consegue vencer. Eu estou ao lado dela e todos os  dias o seu cuidado alcançava sua avó. Um amor de muito longo alcance. Um amor forjado numa infância simples e feliz, onde sua avó teve importância sem igual. Dona Rita era mulher forte e simples. Cuidou de seu marido com toda sua força em seus últimos dias. Quiça entregou sua vida assim. Foi mulher do seu tempo. Entendia o mundo de sua forma peculiar e não se negava aos prazeres que natureza lhe trazia. No nordeste, embora estejamos sempre em períodos de pouca chuva, há muitas frutas. Dona Rita amava elas. Já ri muito com seus causos. Com suas teimas. E já me emocionei muito com todo o cuidado que ela já concedeu ao meu amor. Tenho certeza que seu amor a sua neta forjou essa mulher que está ao meu lado. Que este amor me trouxe este presente. Minhas despedidas, Dona Rita, também são peculiares. Da última vez que te vi, fiz questão de te dar um beijo.  A gente já não sabe, estando longe, quando será o último. Nós que estamos aqui distantes, infelizmente, temos que antecer a despedida. Sofremos todo dia um pouco antecipadamente. Na esperança de um último abraço, de um último olhar, na esperança de sentir a paz da presença. Todo olhar, todo beijo, todo abraço tem um valor inestimável. Os quais, fazemos questão de cravar nas lembranças. Eu sempre me senti muito bem recebido em sua casa, muito obrigado,  Dinda. Um ótimo café, sempre. Pode descansar que estou cuidando de sua neta. Com a certeza do seu exemplo de amor, carinho e respeito, nossos caminhos estão bem traçados por seus cuidados. Descanse em paz. 

sábado, 10 de junho de 2023

amor finitus

 e eu que não acredito no fim do amor
há tempos estou mergulhado em nós
sem ver fim
sem ao menos enxergar 
de qual momento pode vir
e pode? 
e eu que desligo ao teu toque
meu bem
eu que não me vejo finito ao teu lado
me pergunto
há um quando
um lugar
onde o eterno é finalizado?
eu que nem vivi de tudo
e, por fim, não viveria 
se não fosse ao teu lado
eu que espero a estrada passar todos os dias
pra te encontrar no fim da tarde
e te abraçar
e me desligar ao te tocar
e me transportar pra esse universo único
de nossa eternidade

Matheus Matos