Eis minha poesia. Toma, agora é tua!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

21

Hoje é 21 e eu sigo lembrando.
Você foi embora, foi tão cedo.
E a gente vive chorando em segredo
a tua despedida.

Eu te vi partir como quem vira uma estrela,
e vi uma centelha prestes a iluminar todo o mundo.
Você foi embora e eu sigo tentando
não esquecer o teu mundo.

Hoje é 21 e eu queria um poema feliz.
Eu queria só poder apertar teu nariz,
acordar desse sonho ruim
e brotar na tua festa,
dar um beijo em tua testa,
mas tudo que tenho é essa cicatriz
e essa rima indigesta.

Eu não tenho a tua música,
eu não tenho a tua arte,
eu não tenho a tua voz,
mas eu sei: faz parte.
Tudo que eu canto é só saudade.

Hoje é 21 e eu sigo lembrando, todo ano.
Você foi embora cedo, e a gente segue aqui, chorando em segredo.
E só o que me resta pra me conectar contigo
é essa memória deste teu amigo
neste poema contido.

Pois a poesia eu sei que segue amando,
e eu sigo aqui te eternizando em poesia.
Eu sei que você virou um pontinho no céu infinito.
Eu olho pro céu, tantas luzes numa noite escura,
e vejo quanto é bonito.

Eu lembro dos nossos momentos, dos nossos amigos.
Lembro daquele dia, todo mundo em euforia:
nós pulávamos, nós cantávamos, tu sorrias.
Tenho essa cena gravada no peito.
Tu estavas lá. Todos eles estavam lá.
Todos nós estávamos lá.

Sigo tentando transcender o poema,
conectar as almas,
ver se vale a pena continuar.

O mundo é tão mais triste sem a tua presença.
Eu grito daqui do chão, eu grito pro céu, e quem sabe.

Eu te vi pequena e te vi partindo.
E continuo tentando entender a escolha aleatória do universo.
Meu único consolo é poder viajar no tempo contigo,
com nossos amigos, aqui nesses versos.

Eu sigo tentando e me lembro da tua última dança,
com uma lágrima em lembrança.
Mas lembro também de outras danças.
Eu sigo lembrando  
e a poeira levantando.

Hoje é 21.
E eu queria um poema feliz. 
Eu queria só poder apertar teu nariz,
acordar desse sonho ruim
e brotar na tua festa
dar um beijo em tua testa
mas tudo que tenho é essa cicatriz
e essa rima indigesta.

Eu não tenho a tua música,  
eu não tenho a tua arte,  
eu não tenho a tua voz,  
mas eu sei fazer parte  
deste poema.

Matheus Matos

sábado, 17 de janeiro de 2026

Luta vã

Todo dia acordo cedo,
olho a estrada da vida
e me dou alguns luxos:
certos venenos eu não bebo.

Não vale a morte lenta,
uma luta vã.
Quem guarda consigo tormentas
já perdeu a guerra,
vai ganhar o divã.

Certos venenos eu não bebo,
sejam eles segredos
ou escondidos na maçã. 

Matheus Matos

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Enigmas

Os poemas guardam segredos
das nossas almas.
Enigmas a serem descobertos.
Pra pensar com calma.

Cada rima, uma sina.
O amor que fascina,
um trauma
ou o poema que liberta.

Um poema é uma porta entreaberta
para o labirinto.
Quem encontra o poeta
desvenda a si mesmo,
distinto.

Instinto foi ler o poema,
faminto.

Matheus Matos

 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Fotografia

Deixa teu sorriso ser meu guia;
que a luz das estrelas não tem tua alma
nem a magia
e a calma
da minha vida
quando estou contigo.

Vem agora, que sou teu amigo,
com tua dança desse momento exato.
O teu cheiro no meu,
teu corpo colado,
minha alegria
e meu abrigo.

Eu olho pra frente
quando olho pra ti
e vejo o que ainda não existe.
Eu vejo o mundo diferente.
Vejo um amor presente.

Eu vejo a calma dos amores que ainda não tive.
Vejo furacão sendo brisa.
Vejo você em matizes
do que ando descobrindo ser amor.

Vem,
deixa teu sorriso ser meu guia.
Te dou meu bom dia,
te dou minha alegria
e minha melodia,
às vezes um pouquinho de mau humor.

É que a vida não precisa ser mais perfeita
pra estar contigo.
Pra estar contigo,
só preciso saber se há amor.

Matheus Matos 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Compaixão

Um dia acordei cedo
e dei de cara com
o dia chuvoso e triste.

Havia uma nuvem pesada
sobre o dia,
mas o mundo
chamava meu nome.

Vi uma viúva-negra
se afogando na pia
e a salvei,
mesmo sabendo
de sua fama perversa.

Ainda hoje ela deve devorar 
seu inseto favorito.

Há dias em que prezarei insetos,
mas tenho certeza
de que a aranha não passa de hoje.

Alguns insetos 
e aranhas
não têm vida longa.

Matheus Matos

domingo, 7 de dezembro de 2025

Quantum, Quanta, Quânticos

Quantum, Quanta, Quânticos.
Meros termos
de um campo semântico.

Não tem pânico.
Possíveis mundos mudos,
átomos fantasmas miúdos
flutuam no campo das ideias.

Em um átimo, tanto assunto
pra descrever seres diminutos…
É sempre essa odisseia.

Tenho ideias com uma percepção mântica.
Pro-ba-bi-lis-ti-ca-men-te,
te vejo quase contente.

Quantum, Quanta, Quânticos.
Múltiplos universos em momentos epifânicos.
Quantum, Quanta, Quânticas.
O universo e as confusões semânticas.

Em um universo qualquer,
colapso das nossas escolhas.
Decidi estourar essa bolha.

Matheus Matos
 

sábado, 22 de novembro de 2025

Só te tenho aqui

Em casa, eu organizo
nossas lembranças
pra te entregar.

Meu pranto é essa
despedida devagar
a que tu insistes.

Uma parte de mim
vai naquela flor de jasmim
que me pediste.

Uma parte, que é minha,
vai nos teus olhos
sempre tristes.

Alguns adeuses nos levam.
Eu sigo fragmentado.
Já não sei mais encenar
os outros pedaços.

Outros “eus”
que iludiste —
todos aqui, parados.

Tu partiste
e, agora,
só te tenho aqui.


Matheus Matos

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Jogo

Tanto erro,
tanto medo
todos meus,
todos tristes.

Tu insistes
nesse jogo.

Eu, peão;
tu, rainha.
Eu, na minha,
feito bobo.

Tantos "sins",
tantos "nãos" -
já não leio teus sinais.
Nos finais,
o xeque-mate
é só no rei.

Matheus Matos